domingo, 10 de junho de 2012

Tias tios mãe .

Minha tia Maria Luísa  um doce ,que me enchia de guloseimas e doces beijos .
Minha tia Maria do Carmo que nem um coronel  saía botando ordem no quartel.
Minha tia Maria  Augusta  frágil por fora de aço por dentro .
Minha tia Maria Eunice a mais linda e elegante porem a mais distante .
Meu tio José , foi feito numa forma de fazer sapo , para Preta um príncipe nato .
Meu tio João Batista levava-me para comer pastel com caldo de cana na Leão do Sul .
Meu tio Nonato lindo na sua alva farda , se foi ainda rapaz  sem nunca  olhar para trás .
Meu tio Noronha contemporâneo  criado junto dos sobrinhos que viraram irmãos .
Maria Justa,mente a que veio com o nome trocado , injustamente equivocado .




Medíocre mundo


 As vezes  encontro-me mergulhada
 em minhas saudades , são tantas , inúmeras saudades .
 Consigo andar nas nuvens , imensas , infinitamente densas .
 posso tocá-las , senti-las , vislumbra-las .
 Meus passos pesam de repente , caio num abismo
 inóspito , longo .
 Mas a esperança  agarra-me , segura minha alma
 impedido-a de sair de meu corpo já inerte .
 Me sacode , e enfim acordo do êxtase  provocado
 pela minha ânsia de alcançar o que perdi .
 E mesmo de olhos abertos ,vivo num sono profundo
 muito alem , alem mar desse medíocre mundo.


Adriana Noronha .



sábado, 9 de junho de 2012

Verdes Mares

Eu tinha os Verdes  Mares  inteiro só pra mim ,
mergulhava sem medo  nadando  lá no fundo .
As ondas   gigantes não me amedrontavam ,
suas espumas banhavam não só  meu corpo , mas minha alma .
As vezes chovia , água doce e salgada misturavam-se , temperando ,
 minha doce vida de adolescente .
Mas um dia cresci e descobri como é a vida longe do mar,  insípida ,
e sem o Dragão do Mar  por lá sempre a  me zelar.
Vendedor de picolés

Sob olhares anônimos numa rua asfaltada  e  estreita
meus sapatos de boneca levam-me ao colégio .
Acelero o passo , rostos pálidos , opacos , cinzentos
bocas com batons encarnados .
Transeuntes , pessoas , gente , multidão entre carros e fumaça
todos sozinhos dentro de si , fechados ao mundo a tudo .
Minha farda escolar , meus livros e, uma trança nos longos cabelos
paro uns  instantes, ouço your song - Billy Paul , parei  fiquei  estacionei
ô ô ô ô ô  ô ô  um vendedor de picolés me derrubou .

Flor no cimento


Como uma flor que floresce nua
num chão duro de cimento ,
Eu sou , só  uma estranha sobrevivente
porém nunca  demente .
Enterro aqui meu lamento , hoje vou à luta ,
à  vida , corro na rua , roubo  a própria lua .
Rodopio no céu , alcanço o firmamento , eu sei
eu hei de ser no mínimo , no mundo algo muito
melhor que voce .

terça-feira, 5 de junho de 2012

    Felicidade

É a mãe o pai os irmãos ,
casa barulhenta desarrumada ,
bicicleta ,comida ,suco de mastruz ,
bolo de carimã , ambos horríveis !
É a casa na serra , as viagens de trem  ,
as brigas  brincadeiras e surras  , cinco gatos , doze cães  ,
o colégio de freiras , o quintal enorme ,
o Jeep , o mar , tias , tios ,  primos , inimigos ,
catapora ,é a vida que hoje não tenho mais .

 A vejo mergulhada em si
 e calada observo-a , ela não me vê .
 Suas mãos acariciam as teclas do piano ,
 que lhe respondem em melodia .
 Consegue flutuar , flanar ,
 E as teclas pretas e brancas juntas ?
 A harmonia do ébano e marfim ,
 subitamente quem amo entra na sala .
 Para ela  a  magia acaba ,
 ele é mulato , lindo !
 Ela fidalga , racista ,
 fecha o piano, não lembra .
 Que o negro e branco estão juntos ,
 e eu estou entre os dois .