quarta-feira, 9 de janeiro de 2013



Insana e louca

Acordei no meio da noite , só o breu e eu , tatiei ,tatiei , nada encontrei .
Meu Deus !
Não adiantou chamá-lo , então caminhei assim mesmo , um cheiro de flores 
secas invadiu-me .
Águas turvas e salgadas passaram por mim , lavando minha alma insana e louca .
Abri o olhos , nada havia à minha frente , segui em frente lerda e rente.
Onde estaria eu ?
Tentei lembrar do ontem , talvez do antes .
Nada !
Levantei os olhos , e pude ver uma abóbada gigante e translúcida que cobria-me .
Sobre ela longos cabelos negros e escorregadios , agarrei-me a eles .
Porém caí mais fundo ainda , em não sei onde .
Vixe , nunca pensei existir lugar tão sombrio .
Arrastei-me , naquele solo infértil , veio um vento e jogou-me longe , longe ...
Eu vi uma Cruz !
És tu Jesus ?
Talvez .
Que fazes aqui ?
Não sei !
Menina volta ao teu lugar e saí de dentro de tu , esse mundo não podes dominar .
Vais de novo na tua Lua sentar .
Não mergulhas mais em ti mesma , tu podes não te encontrar .

Adriana Noronha


 
Prisão transparente

Guardastes tua ARTE ?
Ou aprisionou tuas ninfas ?
Nem adiantou , esqueceu de pô as rolhas
e de joga-las ao mar .
Enquanto tu dormes elas saem a divagar no mundo que tu criaste ,
mansamente invadem a noite e se vão .
E voam longe de ti , encantando os amantes da noite escura ,
enebriam os fracos de espirito .
Enganam os céticos , iludem os fiéis , misturam-se ao bem e ao mal

correm se escondem .
E o tolos se encantam com tanta beleza , apaixonam-se e sofrem com 

o desdém das ninfas encantadas .
E tu continuas a dormir , um sono pesado e cheio de sonhos dantescos , 

coloridos com sangue e vinho .
E a noite lá fora dos teus sonhos pertence as tuas ninfas medonhamente

belas e más .
A Lua ilumina seus grandes olhos e as ofusca com seu brilho prateado
e quente .
E as força a voltarem para suas prisões transparentes , que outrora guardara

o vinho que tu bebeste .
O vinho que toma conta de tua mente e cria as ninfas de olhos grandes

e vorazes .
O Sol alvorece mais cedo , para que a Lua descanse e esteja pronta para de novo

expulsar tuas Ninfas da noite que é dela .
E tu despertas lentamente e vislumbra tua arte guardada somente enquanto não dormes

outra vez .

Adriana Noronha 

Art  by Chico Brasil 

sábado, 5 de janeiro de 2013



Vento forte


Vento forte

Há muito eu estava perdida em meus pensamentos maus ,
então caí lá do alto em que me encontrava .
O vento passou e derrubou-me , e olha , me fez um grande favor ,
me arranhei , feri meu corpo , mas gostei da queda .
Naquele momento pensava numa criatura vil , ordinária , traiçoeira,
maléfica e em seus parceiros vorazmente iguais .
Perdi muito tempo tentando livrar-me desse mal ,

e estava esquecendo de viver .
Sempre procurando uma maneira de livrar-me daquela 

peçonha em forma de " gente " .
Foi aí que Deus compadeceu-se de mim , transformou-se

num vento forte e derrubou-me de minha pouca fé .
Saí daquele transe hediondo , e vi a face de Deus retratada
nos rostos daqueles a quem amo .
E acordei novamente para a vida maravilhosa que possuía ,

respiro agora o que há de bom no Mundo .
Uma cachoeira de águas fervescentes lavou o que de ruim

havia ficado dentro de minha alma .
Subi à tona daquilo em que havia mergulhado , 

águas turvas tornaram-se cristalinas e limpas .
E nessa água mergulho meu corpo e purifico minha vida ,

que agora flui que nem um rio de águas caudalosas e puras .


Adriana Noronha .

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


Eu não escrevo o que penso ,
escrevo o que sonho.
Se um dia escrever o que penso ,
meus sonhos terão chegado ao fim .

Adriana Noronha .


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013



Esferas Dantescas .

Estou aqui espremida entre dois mundos , um raso e outro bem profundo .
Duas esferas Dantescas , ásperas e duramente frias , que se movem a apertar-me .
Estou estática , fingindo-me morta .
Olho abaixo vejo o nada em forma de escuridão .
Lá penas o lodo do mundo .
Levanto os olhos aos céus e clamo .
E eis que vem aquele por quem chamo .
E lançando um pouco do seu brilho .
Me fez incandescente , reluzente .
Eu respirei , e suspirei tão profundo que deslizei , saí de lá .
Senti meu ser flutuar .
lembrei que tambem sou pedra e pude rolar , rolar .
E nessa ladeira infinita encontrei outro lugar .
Olhei ao redor , nada havia ali .
E comecei a lamentar .
Percebi tardiamente que aquelas pedras .
Estavam a me sustentar .
Para que eu não caísse dentro de mim , e nunca mais pudesse me achar .

Adriana Noronha .

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013



Ocaso dos olhos 

O brilho dos teus olhos , engana o próprio Sol ,
tua olhas ao longe o horizonte a procura de algo .
As nuvens enfeitam o céu , mas a magia esta dentro de ti ,
e assim o mundo parece ser mais bonito .
O Astro Rei antecipa seu OCASO , esconde-se de ti , foge ,
pois teus olhos brilham com maior furor .
De onde vem tanto poder ?
Da tua imaginação , da tua alma , que nunca se acalma e
tenta tomar o lugar daquele que brilha no firmamento .
Então a Lua surge , e te embala num sono profundo , e em
teu sonho tu és o próprio SOL do Mundo .

Adriana Noronha .
Mágico momento 


A musa suspira ao Sol , e mesmo de olhos cerrados consegue
ver o brilho incandescente de seus raios .
O vento vem acariciar-lhe a face , refrescar sua alma , que ora 
calma , voa , transcende .
E o Céu abre-se em nuvens de sonhos , mas o sonho da Musa é
bem mais longe , infinitamente , longe .
Por onde passeias ?
O Céu não é o teu limite , uma alma sem fronteiras , sem bandeiras
sem correntes .
Apenas um alma livre , que voa , voa , suas asas são forjadas com
a brisa do vento .
Ao dormir ela esquece seus lamentos e é só uma menina que sabe 

onde encontrar seu mágico momento .





Adriana Noronha .