terça-feira, 9 de julho de 2013


Será Dali 

Sincera calo
Com mascara de ferro me sinto 
Não tenho face 
Talvez um corpo 
Duro e frio ...
Minhas gavetas vazias
Apenas mostram
Tudo que não tenho
Dentro de mim
Salva-me daqui
Ou será Dali ?



Adriana Noronha 


domingo, 30 de junho de 2013

Fugir e nem fingir

À noite abri a janela de meu quarto
vi todas as estrelas .
Elas estavam ali a me chamar , com seu ofuscante
brilho .
Olhei-o e ele dormia num sono profundo , e assim eu pude
mergulhar em mim .
E lancei-me ao infinito , e mais uma vez meus sonhos me levariam
a alcançar as estrelas .
Mas antes amarrei meu pé numa tênue linha de fé , para voltar e não me perder dentro de mim .
E entre as mais belas estrelas caminhei , vi os meus que se foram antes de mim , não os despertei .
Segui mais à frente deparei-me com a Lua , mas ela ainda estava nua , e os anéis de Saturno alcancei .
Seus gases inebriavam minha alma caliente , olhei para baixo e vi minha janela aberta novamente .
E eu estava ausente , ausente de mim , e não podia fugir , e nem fingir que meu mundo era ali .
Pelo menos ainda não ...
E a linha de minha fé ainda no meu pé , fui puxando , puxando e acabei
voltando .
Retornando ao mundo real em que vivo , olhei de novo ao redor , tudo normal , tudo igual .
Mas minha janela , o portal para dentro de mim , estava aberto às estrelas que de novo estarão a esperar por mim .

Adriana Noronha

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Cabelo

Hoje ela saiu para clarear as ideias ,
seus pés teimavam em não obedecer .
Eles queriam levá-la para bem longe dali ,
qualquer lugar , um lugar qualquer .
Mas claro , que Clara fez somente o que
queria fazer .
Mas um vento passou , pra ela olhou e seu lindo
cabelo ele pintou .
Da cor da brasa ele ficou , e assim numa cor febril
o Mundo para ela  se abriu .
Ser menina é assim , ser menina sim , ser ela mesma
do começo ao fim .
E o cabelo ?
É o que menos importa .
Eles apenas servem para esconder o mistério dos
pensamentos que não ficam atrás da porta .
Clara evidentemente é vidente de seus pensamentos
que em brasa queimam sua mente .
Um cabelo  não é nada à frente e de uma cabeça
eloquente .


Adriana Noronha


Ser eu é foda

Como é possível sentir saudade daquilo
que nunca vivi ?
É assim que funciona minha mente humanamente
mentirosa .
Meus quinze anos foi uma festa maravilhosa ,
eu tenho saudades sim , só que não existiu .
Para os convidados sim , para mim a festa era mais
longe , dali longe .
Eu não queria crescer , florescer , queria mesmo era
permanecer ...
Mas a permanência da audiência da conferência não
permitiu .
E veio o vento e me levou , e bem longe fui aportar ,
fiquei longe do mar .
Longe de tudo que me viu se criar , e minha mente
humanamente mentirosa .
Me enganou quando chorei , ela me dizia que eu apenas ria
e que para sempre feliz seria .
Seria , não é ser .
Ser eu é foda !
Todos pensam que sou de boa fé , ledo engano dos cegos
sou vil , má , perversa , maquiavélica .
Sou eu assim , e ser eu é foda .
Tudo em mim é fora de moda e meus modos são rudes , grudes ou
iludem a mim .
Sei que sou pouca coisa , mas sou tudo aquilo que pude ser , sem
precisar ser ninguém além de mim .
Acho ... acho não , tenho certeza que foi assim que pude sobreviver
entre eu e o meu antológico ser.
Ser eu e ser assim o começo sem meio , muito distante do fim .

Adriana Noronha

terça-feira, 25 de junho de 2013

Cantar na rua

Ontem procurei a Lua , lá da minha janela , mas
não pude vê-la .
Então no meio da noite saí , caminhei , procurava
entre as coisas do Mundo .
Mas , como ?
Fui muito longe , muito longe de mim , então
cansada de caminhar pela vida , sentei .
De tão cansada , deitei , e uma brisa quente
envolveu-me o corpo .
Um calor subiu pelas entranhas de minh'alma ,
e senti que ainda vivia .
É , ainda sou um pedaço de gente !
E assim fui catando , as migalhas de vida que estavam
ao meu redor e fui em frente .
Caminhei entre muita gente , procurava voce , procurava
o por quê .,
Porque me abandonastes ?
Mas agora não importa , eu já fechei a porta , é , a porta
fechou , travou , enferrujou , empenou , lacrou .
Por isso saio a procura da Lua , essa tu não apagou , teu
brilho é escuro , entre tu e eu há um muro .
E eu juro ,enquanto viver nunca mais te procuro !
E caminhei mais à frente , e num mar quase submersa ,
achei minha Lua .
Que fazes ai ?
Fui tu menina , que quase me afoga nas lágrimas tuas .
Me tira daqui , que sou a tua Lua .
Não chores mais ,
toca tua vida e vem cantar de novo na rua .

Adriana Noronha

segunda-feira, 24 de junho de 2013



Nothing

Minha cabeça pensa muito , gira muito
e gira mais uma vez , pensa de novo .
E fica divagando , caminhando , cozendo
meus miolos moles .
Tá pensando o quê agora !
Nothing !
Eu sabia !
Pare de pensar e vá viver .
Ouço muitos acordes notas altas , baixas
sons agudos , e muitas vezes sons graves .
E misturam-se aos turbilhões silenciosos de minha louca ,
mente louca .
Ouvi uma vez .
" O mundo pertence aos loucos "
Então o mundo é meu !
Meu mundo louco , louco mundo .
E minha mente insana me salva da
morte repentina .
Aquela morte que nos faz pensar assim , sei lá ,
sem ter e nem pra quê !
Viu !
Meu maior legado é não possuir legado algum ,
é ser o que sou .
E talvez ser o que sou , basta .
Ou será , bosta ?

 Hora de acordar , ta na hora de sonhar , e mergulhar em
teus sonhos andantes .
Nada na tua vida vai ser como
antes .
Nothing .

Adriana Noronha
Pé de muleque .


Um bolo encantado ,
mas muito elaborado .
rapadura derretida , e muito trabalho
nessa vida .
Mamãe sempre fazia , eu roubava as
castanhas comia e corria .
O cheiro delicioso , à cozinha o papai
trazia .
E o forno quente espalhava um aroma cheio
de encanto .
Pronto a vizinhança já sabia !
Era o bolo da Maria .
E a Maria Justa só ensinou as quatro
fia .
Eu não a não aprendi a fazer essa iguaria
não tenha a mão encantada .
Dava tanto trabalho que eu sumia , só voltando
pra comer depois do meio dia..
E roubava de novo as castanhas que pra cima do
bolo subia .
A mamãe já não o faz .
Mas restou as outras quatro fia .
Que perpetuam o nosso pé de muleque , pra
nunca esquecermos nossas fantasias .
Maria e suas quatro fia , não deixando os irmãos
esquecerem sabor da nossa alegria .
Era assim que o mamãe fazia , pra reunir
toda a famia .
Vida longa as suas quatro fia .

Adriana Noronha