domingo, 18 de agosto de 2013



Onde tu vais ?

Pensas que sabe voar !
Então tenta , vai tenta , voa 
voa ...
Não te faltas algo ?
Olha pra ti e não vês !
Tenta , voa , voa , voa ...
Para voar seriam necessárias duas ,
duas asas .
Não dois corações !
O meu e o teu não te fazem voar ,
não te levam aos céus .
Tens medo de quê ?
O mundo é pequeno pra ti ,
deita e dormes .
A asa que te faltas é a coragem ,
mates esse medo .
Vais ser livre , é , livre de mim ,
mas leves outra asa e voe sim .
Vá ao mais infinito dos céus , ultrapasse
as nuvens , alcance o teu universo .
Mas lembres que o Sol está lá a te espreitar
não caias no fogo dessa ilusão .
Voe , fly , flua , que o vento te levará ,
mas não esqueças , onde é o seu lugar .
Os anjos são bons , porém um deles sabe
enganar .
Enganar os tolos que ainda não aprenderam
a voar .
E ao precipício te empurrar .
Todos os anjos são lindamente iguais ,
mas o anjo mal esta lá .
Para voar são necessárias duas ,
duas assas .
Para poderes ir e voltar .


Adriana Noronha

quinta-feira, 8 de agosto de 2013




Antiga casa 

Um monstro gigantesco longo , forte , voraz , e cheio de vidas sem rumo , 
a procura de um rumo qualquer .
Veio numa velocidade descomunal e esmagou aquela antiga casa , 
aquela casa antiga .
E foram ruindo todos aqueles tijolos , telhas vermelhas e encardidas
de carmim .
O tempo carcomeu aquelas vidas que lá haviam , e outras vidas chegaram
mas eram medíocres vidas .
Hoje olho aquele lugar e posso vislumbrar os seres noturnos que espalhavam-se ao anoitecer , espalhavam-se entre os vivos .
Mas só eu os conseguia ver , um corpo esquelético de longos cabelos grisalhos e unhas afiadas e negras , de olhos sem luz .
Um cachorro de olhos de fogo , uma gia que piava , um gato negro que não miava , urrava , e o morcego com seu voo rasante !
O quintal possuía arvores que tinham mãos , folhas inebriantes e urticantes , seus frutos eram proibidos e amargos .
Porém havia uma luz ofuscante e dentro dela aquela que chamava-se Lídia , vovó ,
é vovó ...
E som dos tubos do orgão da igreja deixavam tudo fantasticamente pavoroso , escuro e assombroso , nem a Lua nem as estrelas se atreviam .
Essa era minha casa , minha imaginação , minha frustração de não ter tido um avô e uma avó que me contassem histórias de assombração .

Adriana Noronha

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Iemanjá

Sob o Sol do árido sertão o franzino menino , corria alegre e era feliz 
e naquela água barrenta , sua sede matou .
Porém ela o viu , encantou-se pelo franzino menino e em seus sonhos 
ela entrou .
E assim aquela água barrenta em mar transformou-se e como em ondas
gigantes ela o trouxe .
E o menino cresceu , em homem transformou-se , e com suas cores
seguiu pintando o mundo .
E perto da brisa do mar ela em desenho transformou-se , seu presente a
Iemanjá , era sua beleza retratar .
E ela dali daquele mar sempre esteve a lhe guardar .
E os ventos vieram e foram e voltaram até que ela permitiu , que
à sua Terra árida o menino franzino ...
Pudesse voltar .
E de novo pudesse nas águas barrentas sua sede matar .
Benvindo ao seu lugar .
Menino franzino que todas as cores soube , domar .


Adriana Noronha .

O que olhas tão longe ?
O espelho esta ai aos teus pés .
Mergulhes nele .
Pintastes a pedra , que de tão dura 
tornou-se tenra ao teu toque de luz .
Tua arte , tua vida , tua lida .
Tua lida flui .
Tua vida FLY .
Tua arte vai .
Vá longe .
Mas um dia volte pra mim .
Vai ,vai ...


Adriana Noronha 

sábado, 27 de julho de 2013

A caixa

Ele é capaz de colocar seus sonhos numa caixa .
E muitos nem sequer sonham .
nem tentam
não inventam
não pensam
não correm
não voam
não morrem
A vida é uma pintura
e as cores que numa paleta chamada vida ,
somos nós que escolhemos .
O branco é ermo ou paz ?
Vermelho , paixão ou solidão ?
Azul realeza ou pobreza ?
Amarelo ouro ou tolo ?
Verde nem existe , jaz !
E o preto ?
Esse sim o faz mergulhar
no infinito que dentro dele há .
Outros só borram as cores
só tem dores .
Mas ele rouba as cores de
todas rosas , ou serão flores ?

Adriana Noronha

quinta-feira, 18 de julho de 2013



Somos nós


No que estais pensando meu caro ? 
Meu caríssimo irmão .
Para onde te levam as tuas saudades , 
as tuas reminiscências .
Estaria eu , em teus pensamentos ?
Ainda menina vi tu partir , e partiu 
partindo a mim .
E os anos foram te levando para longe ,
bem longe daqui .
Muitos céus e terra passaram , e chuvas vieram ,
mas um brilho incomum surgiu .
E nele tu reapareceu , apagou-se o breu entre
tu e eu .
Não sou mais ateu , Deus estava entre nós
e mesmo estando a sós ,
Não somos mais tu e eu , agora somos nós ,
e o tempo vai voltar .
Pois mesmo sem muito demonstrar , eu pra sempre
vou te amar .
E esse teu pensamento eu quero decifrar , pois o meu sempre
em algum lugar , vai te buscar .


Adriana Noronha 

terça-feira, 9 de julho de 2013


Será Dali 

Sincera calo
Com mascara de ferro me sinto 
Não tenho face 
Talvez um corpo 
Duro e frio ...
Minhas gavetas vazias
Apenas mostram
Tudo que não tenho
Dentro de mim
Salva-me daqui
Ou será Dali ?



Adriana Noronha