Onde tu vais ?Pensas que sabe voar !Então tenta , vai tenta , voa voa ...Não te faltas algo ?Olha pra ti e não vês !
Tenta , voa , voa , voa ...
Para voar seriam necessárias duas ,
duas asas .
Não dois corações !
O meu e o teu não te fazem voar ,
não te levam aos céus .
Tens medo de quê ?
O mundo é pequeno pra ti ,
deita e dormes .
A asa que te faltas é a coragem ,
mates esse medo .
Vais ser livre , é , livre de mim ,
mas leves outra asa e voe sim .
Vá ao mais infinito dos céus , ultrapasse
as nuvens , alcance o teu universo .
Mas lembres que o Sol está lá a te espreitar
não caias no fogo dessa ilusão .
Voe , fly , flua , que o vento te levará ,
mas não esqueças , onde é o seu lugar .
Os anjos são bons , porém um deles sabe
enganar .
Enganar os tolos que ainda não aprenderam
a voar .
E ao precipício te empurrar .
Todos os anjos são lindamente iguais ,
mas o anjo mal esta lá .
Para voar são necessárias duas ,
duas assas .
Para poderes ir e voltar .
Adriana Noronha
Antiga casa Um monstro gigantesco longo , forte , voraz , e cheio de vidas sem rumo , a procura de um rumo qualquer .Veio numa velocidade descomunal e esmagou aquela antiga casa , aquela casa antiga .E foram ruindo todos aqueles tijolos , telhas vermelhas e encardidas
de carmim .
O tempo carcomeu aquelas vidas que lá haviam , e outras vidas chegaram
mas eram medíocres vidas .
Hoje olho aquele lugar e posso vislumbrar os seres noturnos que espalhavam-se ao anoitecer , espalhavam-se entre os vivos .
Mas só eu os conseguia ver , um corpo esquelético de longos cabelos grisalhos e unhas afiadas e negras , de olhos sem luz .
Um cachorro de olhos de fogo , uma gia que piava , um gato negro que não miava , urrava , e o morcego com seu voo rasante !
O quintal possuía arvores que tinham mãos , folhas inebriantes e urticantes , seus frutos eram proibidos e amargos .
Porém havia uma luz ofuscante e dentro dela aquela que chamava-se Lídia , vovó ,
é vovó ...
E som dos tubos do orgão da igreja deixavam tudo fantasticamente pavoroso , escuro e assombroso , nem a Lua nem as estrelas se atreviam .
Essa era minha casa , minha imaginação , minha frustração de não ter tido um avô e uma avó que me contassem histórias de assombração .
Adriana Noronha
IemanjáSob o Sol do árido sertão o franzino menino , corria alegre e era feliz e naquela água barrenta , sua sede matou .Porém ela o viu , encantou-se pelo franzino menino e em seus sonhos ela entrou .
E assim aquela água barrenta em mar transformou-se e como em ondas
gigantes ela o trouxe .
E o menino cresceu , em homem transformou-se , e com suas cores
seguiu pintando o mundo .
E perto da brisa do mar ela em desenho transformou-se , seu presente a
Iemanjá , era sua beleza retratar .
E ela dali daquele mar sempre esteve a lhe guardar .
E os ventos vieram e foram e voltaram até que ela permitiu , que
à sua Terra árida o menino franzino ...
Pudesse voltar .
E de novo pudesse nas águas barrentas sua sede matar .
Benvindo ao seu lugar .
Menino franzino que todas as cores soube , domar .
Adriana Noronha .
O que olhas tão longe ?O espelho esta ai aos teus pés .Mergulhes nele .Pintastes a pedra , que de tão dura tornou-se tenra ao teu toque de luz .Tua arte , tua vida , tua lida .Tua lida flui .
Tua vida FLY .
Tua arte vai .
Vá longe .
Mas um dia volte pra mim .
Vai ,vai ...
Adriana Noronha
A caixa
Ele é capaz de colocar seus sonhos numa caixa .
E muitos nem sequer sonham .
nem tentam
não inventam
não pensam
não correm
não voam
não morrem
A vida é uma pintura
e as cores que numa paleta chamada vida ,
somos nós que escolhemos .
O branco é ermo ou paz ?
Vermelho , paixão ou solidão ?
Azul realeza ou pobreza ?
Amarelo ouro ou tolo ?
Verde nem existe , jaz !
E o preto ?
Esse sim o faz mergulhar
no infinito que dentro dele há .
Outros só borram as cores
só tem dores .
Mas ele rouba as cores de
todas rosas , ou serão flores ?
Adriana Noronha
Somos nós
No que estais pensando meu caro ? Meu caríssimo irmão .Para onde te levam as tuas saudades , as tuas reminiscências .Estaria eu , em teus pensamentos ?Ainda menina vi tu partir , e partiu partindo a mim .
E os anos foram te levando para longe ,
bem longe daqui .
Muitos céus e terra passaram , e chuvas vieram ,
mas um brilho incomum surgiu .
E nele tu reapareceu , apagou-se o breu entre
tu e eu .
Não sou mais ateu , Deus estava entre nós
e mesmo estando a sós ,
Não somos mais tu e eu , agora somos nós ,
e o tempo vai voltar .
Pois mesmo sem muito demonstrar , eu pra sempre
vou te amar .
E esse teu pensamento eu quero decifrar , pois o meu sempre
em algum lugar , vai te buscar .
Adriana Noronha
Será Dali
Sincera caloCom mascara de ferro me sinto Não tenho face Talvez um corpo Duro e frio ...Minhas gavetas vaziasApenas mostram
Tudo que não tenho
Dentro de mim
Salva-me daqui
Ou será Dali ?
Adriana Noronha