sexta-feira, 30 de agosto de 2013


Útero gigante

Toda noite te procuro em meus sonhos 
são eles assim , cheios de cores , flores , e muitos odores .
Os pássaros possuem gigantescas asas , e num voou rasante 
arrastam-me para o mais infinito mundo .
O nosso mundo , e de mais nimguém .
lá não há nada , mais existe de tudo , e o relógio de minha memória
por vezes pára .
Para minha'lma atormentada , só há um caminho .
Caminhar por entre meus sonhos , lá sei que posso ser como sempre
fui .
Ou será , como sempre serei ?
Uma sereia sem mar , o numero um que quer ser par , o sal sem o mar
o marmelo que sonha ser martelo .
O feio que pensa que é belo .
Meu Mundo só existe aqui , alí , acolá .
Deus me acuda , me sacuda , me faça respirar , acordar para depois quem sabe , chorar .
Mas não um choro mórbido .
Mas um rio ...
Um rio de lágrimas , que te tragam a mim , com ondas carmim , desse jeito assim .
Que te envolvam em outro sonho
e num útero gigante , te ponham a salvo , alvo ,
lindo e calmo .
Salva-me daqui ou quem sabe ,
salva-me Dali .

Adriana Noronha

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Gosta de ouvir causos bela prima ?
Então vamos a ele .
Numa viagem ao Ceará eu , Regina e Ricardo desviamos a rota , 
e passamos no triunfo Terra de nossos avós , tínhamos em punho uma super câmera profissional , e para matar um pouco a saudade , minha irmã adentrou a porteira do Bonito , casa do vovó Raimundo Deodato Noronha e vovó Justa Amélia Noronha , ela chorava rios , o Ricardo só sorria e assistia , pedimos para entrar na casa ,e ela ajoelhou-se diante do altar dos santos da vovó ,  e disse .
O nicho da vovó , eu quero levar ! Sempre aos prantos .
A casa era de outrem ,não era mais a casa de nossos avós , eu conseguia ver o quanto eles foram felizes ali .
Comendo queijos enormes ,bebendo caldo de cana , e até uma cachacinha o veio fazia e ainda tinha a Mimosa ,uma vaca que ao som do canto da vovó vinha a galope .
Tomamos banho no açude nus , eu entrei num mundo cheio de aridez e felicidade que outrora fora deles .
Até o fogão a lenha ainda estava lá .
Pisamos aquele chão tão peculiar , e vimos o tempo voltar .
fomos ao lugarejo e com a câmera no ombro meu irmão fingiu sermos repórteres da Globo e logo fomos sendo rodeados pelas pessoas , camionete potente , cameraman ,mulher bonita ,pronto acreditaram .
Então perguntamos pelo Senhor Raimundo Deodato Noronha , Justa Amelia Noronha e uma comadre da minha mãe de nome Netinha , foi respondendo a todas as perguntas .
Então num estalo ela disse .
Tu é filha da Maria Justa ,irmã da Bibiza ,Maria do Carmo , Gustinha ,Eunice , José , Batista , Nonato .?
E o choro durou mais trinta minutos ,e foi aquela alegria . e assim vi meus irmãos mais velhos entrando num túnel do qual eu não estava , mas mesmo assim até hoje busco sempre saber onde estão minhas outras raízes. Então Cleopatra AlbuquerqueRemo Noronha venham ouvir mais causos da NOSSA FAMÍLIA .


O comboio das almas 
Em 1974 Seu Raimundo Deodato agonizava ao redor das 
filhas e um rebanho de netos e netas , os filhos da Maria justa eram os mais Jovens e na casa da Tia Maria do Carmo o choro tava feito , enquanto os adultos se revezavam cuidando do vovô ,nós os pequenos nos espalhávamos pela floresta (nome do bairro da titia ) .
Quando íamos para lá o papai dizia-nos .
Cuidado com a bruxa da floresta ! No caso a titia !
Era muita gente numa casa pequena , mas aconchegante , e as comadres vinham aos montes . Meus irmãos mais velhos eram apaixonados por ele 
Mas eu o achava muito rabugento , não sei se era por que eu era um cão de danada .
E de repente foi aquele alvoroço , o choro foi estridente , e o som do terço começou a ecoar pela casa inteira , nós pirralhada ficamos imoveis só com um grito da mamãe .
E o corre corre virou lamento , e o terço não cessava , e em coro nos respondíamos " rogai por nós que recorremos a vós na hora da nossa morte amém " e assim a longa noite se foi , e as velas espalhavam o cheiro da tristeza .
E o dia raiou e a pior hora começou , colocar vovô no carro que o levaria de volta a Redenção .
e Assim formou-se o Comboio das Almas , como sarcasticamente profetizou o papai , e foram sessenta e cinco km intermináveis , numa procissão sobre rodas .
E ao chegarmos lá nós crianças sumimos , e fomos desbravar Redenção que era linda , na hora do enterro quem mais chorava era minha prima Elizabete , e ao colocarem o caixão na cova foram junto a mamãe e a Elizabete descendo cova abaixo e o papai mais que ligeiro pegou a pá e disse :
Aproveita enterra os três e economizamos viagem ! 
E assim mais um causo da familia Noronha termina ou começa ?

sexta-feira, 23 de agosto de 2013







Voce voou longe ...
e mais longe ainda pousou e de lá .
Trouxe aquele que protege a Lua ,
a encantada agora ta nua .
Numa gaiola aprisionou o Santo , o cavalo e 
o dragão .
Menino egoísta !
E os outros ?
Que acreditam nessa proteção .
Sei que os trouxe para mim , e eu
egoístamente adorei ...
Jorge é tu
O cavalo tua liberdade
O dragão tua arte .
E eu transformo-me nessa gaiola , para
sorrateiramente aprisionar-te .
Então não valeu tua intenção de dar-me
essa proteção ...

Adriana Noronha


Igual a ela 

Nunca ouvi uma palavra de afago de minha mãe .
Ouvia seus gritos e ritos .
Ouvia suas proibições , e sentia seus beliscões ,
certas vezes a odiava .
Mas depois passava...
Mulher austera
extremamente severa ,
por muitas vezes megera .
E até que , virei tambem , uma mamãe ,
exatamente igual como ela .
Sua palma minha alma , e hoje sei o quanto ela me amava ,
me ama .
E só foi isso que aprendi a fazer ...
Não digo eu te amo , grito quando não obedecem
meus ritos .
Proíbo e belisco ,
Sou por muitas e muitas vezes tambem odiada ,
tal e qual .
Em plenos tempos modernos sou austera , severa
e uma megera .
Mas há uma imagem que nunca apagarei de minha alma ,
minha mãe rezando e clamando a Deus , pelos treze filhos seus .
E eu não muito diferente dela ...
Proteja meus quatro filhos das mazelas do mundo , é somente isso que
clamo a Deus .
Se não digo eu te amo , perdão ,
porém vocês estão em minha oração .
E onde vocês estiverem não se esqueçam de mim .
Eu os amo desse jeito assim .

terça-feira, 20 de agosto de 2013



    • Nunca mais 


      E a noite tomou conta de meus sonhos ,
      veio fria e escuramente negra . 
      O vento era denso e carregado de 
      coisa nenhuma .
      As arvores agitavam-se e derrubavam os corvos
      que dormiam de olhos abertos .
      Ao longe cachorros ladravam .
      Ou seriam os ladrões que roubavam ?
      O som do sino na Matriz tornava
      tudo mais tenebroso .
      E o lampião da casa abandonada acendeu .
      Uma luz amarelada pela solidão tomou forma .
      O gato criatura da noite uivou como um
      lobo louco e sanguinário .
      E aquele som estridente e surdo ecoou
      gélido e sombrio
      E eu passeava em passos lentos
      e o meu vestido ao vento .
      E surge diante de mim aquele que
      sempre temi .
      E com o seu brilho opaco ofuscou
      o tempo , o tempo ...
      O tempo que fora nosso ,
      nosso inimigo e algoz ...
      E o céu revolveu-se em nuvens
      cheias de uma chuva fria .
      E a enxurrada nos afogou em sonhos
      de lágrimas nunca choradas .
      E aquela flauta doce tocava um som
      amargo .
      E eu que morro de dia no meio
      dos vivos .
      Vivo a noite no meio dos mortos
      cheios de vida .
      E em meus sonhos eu vou á terra do
      nunca mais .


      Adriana Noronha

domingo, 18 de agosto de 2013

Mundo meu 

As vezes ouço muitas vozes dizendo sempre o que devo fazer ou o que não devo ,
gente , pessoas , algaravia , confusão , 
e em meio a essa multidão que só fala , fala , fala .
Eu prefiro o barulho ensurdecedor dos meus pensamentos . 
Ai me perco na imensidão daquilo que acredito . 
Mesmo sabendo que só eu creio que o mundo é um lugar bom de se viver .
Mesmo que ele só exista ali dentro de mim , um mundo cheio de cores , 
flores mil , um lugar que em nenhum outro lugar, existiu .
Então corro livre em meus sonhos , e o céu não é vazio , 

e sim cheio de acordes de arpas delirantes , inebriantes , 
e o aroma de vida vem num vento cheio de esperança .
Em um dourado cavalo alado sigo rumo ao Sol , porém olho ao redor

e numa reviravolta louca vejo a lua , 
que me chama e clama dizendo que a vida é minha e sua .
E o sentido da vida invade por minhas estranhas entranhas , 

e na sensação que só meu coração pode sentir , 
eu acordo e vejo que meu mundo não é aqui .
Então mergulho no mar , 

purifico minh'alma e outra noite virá  
e ao meu mundo poderei retornar .

Adriana Noronha