quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

De novo não 

Não !
De novo não ...
Que aquela cortina negra não desça de novo sobre 
nós .
Não vamos esquecer o que fomos .
Não vamos esquecer o que somos ...
Não vamos separar as estradas , eu grito aos ventos 
que o meu amor é teu , e o teu amor é meu eu , não sou eu sem 
voce , voce não é tu sem mim .
Uma metade de sou se foi , tu é a metade que ficou ...
Se fores deixarei de existir ,
eu rogo , imploro , não me deixes aqui !
São dois corações , duros , vorazes , orgulhosos , firmes ,
é , mais são também dois corações irmãos ...
Tu nem me abraçou , não olhou para traz , somente se foi
e foi assim que fiquei ...
Capengando e tropeçando nas pedras pontiagudas do nosso
orgulho que estão espalhadas no chão ...
Deixa passar a dor , deixa morrer o rancor , e vem , vem e me
dê sua mão ...
Pois somos irmãos ...

Adriana Noronha
Um lá , outro cá

Numa parede cravado , firme e forte
ele aguarda a rede que vem .
E assim segura firmemente o peso de alguém ,
cansado da lida , 
cansado da vida dura
ou da dura vida .
E o vento adentra e inventa a magia de embalar
os sonhos ...
Um par de armador , um lá outro cá , e unidos pela
rede , conseguem acalmar o mais atormentado coração .
A rede vai , a rede vem , e o mundo é desligado , o mundo
fica renovado ...
Dois artefatos separados , ligados por uma rede , que transforma-se
numa tênue linha entre o concreto e o encantado .
E aquela porta do tempo abre-se e zomba das mazelas da vida e o dia
azul do verão , vem em nuvens de paz .
E assim vem o sossego ,
o sono ,
os sonhos
e voltamos a sermos
eternas crianças
que imaginam estarem
no doce colo da mãe .

Adriana Noronha
Coisas do meu Sertão...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sorte

Ela engana o próprio
tempo .
Se esconde dos
ventos .
Faz adormecer o
destino .
E volta a fazer aquilo que por eras sem fim ,
sempre o fez .
Zomba da morte , pois tem uma coisa infinita
chamada sorte .
Aprisiona aqueles a quem ama num Rosário de
cristal .
Reza e os protege de todo o mal ...
E assim sua vida segue , e ao seu lado sua prole se
ergue .
E o tempo se rói de inveja , daquela criatura que não o
teme .
Pois ela teima em viver ...
E lá no fundo ela é uma eterna criança , que talvez não soube
amadurecer ...
Vida longa aquelas que te fazem todos os caprichos , os mimos ,
e vontades .
E assim a vida vai ,
a vida vem ,
a vida volta e
tu estais ali
firme
rente
e forte .
Para nós essa é a maior sorte .

Adriana Noronha

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Mil anos passaram , e estarei aqui escondida no tempo ,
solta ao vento .
Sempre em busca daquilo que fomos , daquilo que hoje não
mais somos .
Sumimos no tempo , fomos levadas pelo vento , e não pudemos
nos agarrar a nada .
Pois não havia um cisco sequer , daquela grande arvore da qual
fomos fruto .
Da arvore da qual fomos geradas ...
Hoje só há o luto .
E eu perdi a alegria de um dia lutar por ti ...
Tua mão é o açoite , e minha esperança virou noite ,
escura e fria .
Mas tu bem que podia , mas não o fez .
Então passou a vez .
Cadê voce , cadê ?
Mais mil anos viram , e é assim que nossos corações estarão , em
duas vidas separadas .
Daquilo que um dia fomos ...
Hoje não resta mais nada
Vai , segue em paz .
Não olha para traz .
Ai nada tem e
aqui não tem mais nada .

Adriana Noronha
Lá ...

" Na tempestade , passam os medos e ficam as esperanças embaixo de cada fio de cabelo . "
" Diante de nossa beleza , os ventos uivam . "
De que é feita a coragem de viver ?
Na beleza dos poucos anos , desconhecemos o que gira o Mundo ,
desconhecemos o que o Mundo gira .
E o tempo vem , o tempo vai , vem ´e volta em fios de cabelos
brancos .
Em fios de brancos cabelos ...
De que me vale viver , se sei que hei de um dia morrer , se capengo
entre as pessoas vivas ...
O que serei entre os mortos ?
Verei tua face oh Deus !
Levarei comigo a Lua !
Levarei o clarão do Sol .
O cheiro salgado do mar .
Roubarei um pouco do ar .
Na mão um punhado da Terra que me viu nascer .
Só não poderei morrer de amor .
Pois morrendo , talvez eu o encontre lá .
Lá , uma palavra tão pequena , mas tão infinitamente
distante ...
Lá adiante .
Lá em casa .
Lá onde nasci .
Mas sei que vou pra , Lá não sei onde .
Então deixa eu ficar Lá ...
Lá bem dentro de mim .
Lá onde os meus ventos uivam .
Lá longe ...

Adriana Noronha
Cadê o amor ?

Eu mergulhei no mais fundo de mim ,
tentei descobrir o que sou .
Nadei nas profundezas de minha alma louca ,
de minha louca alma .
Vi o bem acorrentado , a vaidade solta , o afago cortado
em dois .
Deixei o perdão pra olhar depois , nadei mais fundo , bem
mais fundo e vi o meu MUNDO .
Cadê o amor ?
Cadê ?
Meu coração apagou , brotou no seu lugar a razão ,
e aquela medonha visão da vida , apareceu .
E tudo que era alegria , transformou-se no breu , o que uniu dois corações , morreu .
Não somos mais voce e eu , eu e voce não somos mais , um muro entre nós se ergueu .
Nossas estradas não vão mais se encontrar ...
Tentei voltar sair daquele lugar .
Cadê o amor ?
Cadê ?
Sei lá !
Procurei dentro de mim e ele não esta lá .
Dizem que o amor é paz !
Então estarei sempre em guerra , sempre em guerra estarei
contra eu mesma .
Então não posso morrer de amor e nem por
amor perdoar .

Adriana Noronha

sábado, 1 de fevereiro de 2014

 Surrealismo

As janelas de minha vida
não me mostram o Mundo .
Só vejo o surrealismo ...
Do Sol que não nasce
da Lua que não brilha .
Do oceano morto , petrificado
de florestas vermelhas , incandescentes .
Do vento que não sopra
dos pássaros sem asas .
De rebanhos de homens acorrentados
em sua existência nula e vil .


Adriana Noronha Foto: Surrealismo

As janelas de minha vida

não me mostram o Mundo .

Só vejo o surrealismo ...

Do Sol que não nasce

da Lua que não brilha .

Do oceano morto , petrificado

de florestas vermelhas , incandescentes .

Do vento que não sopra

dos pássarros sem asas .

De rebanhos de homens acorrentados

em sua existência nula e vil .

Adriana Noronha