domingo, 6 de dezembro de 2015

Vem
Tu deixou que me apaixonasse ...
E agora tu me deixas .
Entrou no meu peito invadiu meu surrado coração .
E agora tu me deixas .
Para quê me mostrou o amor ?
Se agora tu me deixas ...
Eu não quero ser livre .
Quero ser acorrentado em ti , numa corrente pesada e firme ,
quero estar aí , aí dentro da tua emoção .
Nosso Mundo é cheio de cores , de flores ,
de dores também ...
Eu não quero voar .
Eu não sei caminhar sozinho .
Eu ...
Eu não sou eu
Sou tu
Sou nós .
Sou sua voz .
Seu vinho .
Seu pecado .
Sou seu anjo ALADO .
Vem .
Vem .
Vem nem que seja para somente me olhar .
Nem que seja somente pra me salvar .
Salvar-me daqui .
Salvar-me de mim .
Eu quero ver o mar
o amor
ou amar ?
Vem me salvar ...

terça-feira, 3 de novembro de 2015



Irmãos em guerra


Quando somos crianças ,somos tão felizes , tão inocentes ,tão alegres
tão tudo ...
Estar apenas ao redor dos irmãos , brincando ,correndo ,malinando ,derrubando cadeiras ,fugindo do banho , mexendo nas panelas e sumindo ,reunidos à mesa , indo para a escola ,bastava para sermos felizes ...
Ah era um tempo tão bom !
Até as surras eram boas , o cipó , o chinelo , o beliscão , a cara feia ,o cinturão, o fio do ferro de engomar , a bainha graças a Deus sem o facão .
O pai dizendo .
Deixa pra lá !
De que é feito mesmo o amor ?
Aquele amor que une dois corações ,e dele surgem vários outros amores ,que chamamos irmãos .
É feito de sangue .
Mas não é o bastante para manter unidas aquelas crianças que num giro que o Mundo deu ,viraram ADULTOS ,e adormeceram dentro de seus corações as crianças que outrora foram um dia .
E num Mundo de adultos ,muros , paredes , cercas ,separam aqueles que se amavam sem medidas .
E sempre há um lado mais fraco , o lado daquele que ama mais .
E o lado daquele que ama o lucro , a ganância , a prepotência , e a arrogância de mesmo sabendo estar errado não se curva .
Daquele que esqueceu que era tão amado , tão esperado , tão admirado , que servia de exemplo , mas que mostrou um lado obtuso ,escuro , que mostrou realmente que sempre foi , é ,será ...
Então vivamos sem olhar para trás .
Vamos adiante .
Transformar as tardes tristes ,
de outros tempos
em dias vindouros cheios de nuvens carregadas de sagradas águas ,a nos banhar a tez .
Que saudade dos tempos
de menina
dos tempos de irmãos .
Irmãos em paz .
Não irmãos em guerra .

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Feliz dia das crionças

Feliz dia das crionças
 

O  Sol aparecia  às cinco horas da manhã e a Maria Justa não tinha pena de suas treze crioncinhas , e nos arrastava das redes bem cedim ..
O papai chegava junto com o Tupã, da bodega do seu João com os braços carregados de muitos pães e leite Betânia,o café exalando um cheiro forte e adocicado no ar .
Ai meu Deus, já ...
E o vucu vucu era intenso , a guerra era travada na porta do único banheiro que era enorme ,mas era só um , e não tomávamos banho juntos ,impossível ,era pecado mortal ,eis o motivo da contenda matinal .
Após a comilança todos se espalhavam rumo aos seus destinos educacionais, alguns iam pro Santo Antonio de Pádua , outros pro Liceu , as moças para a Escola Normal , o primogênito pro Colégio Militar de Fortaleza ,eu e o caçula ainda na Escolinha do 23º BC .
Nossa fardinha impecável,de anarruga quadriculada azul e branca,linda bem limpinha ,éramos dois docinhos ,dois anjinhos , perto da mamãe ...
Mas longe de seus domínios , éramos duas pestes ,e nesse dia não queríamos ir para a Escolinha .
O dia estava chuvoso.

É chuvoso !
No ceará chove ...
Pelo menos lá no litoral da nossa Fortaleza, Terra da Luz chove mesmo ,e como chove ...
Na esquina do Beco do Pecado ,na Rua Antenor Frota Wanderley tinha uma poça d'água ,e o André pensou o que eu pensei , leu meus pensamentos e me empurrou na lama , ensaiei um falso choro .
Burra, me empurra também ,assim não vamos pra Escolinha !

Então empurrei ele, com gosto de vingança, e lá estávamos enlameados...
E assim voltamos chorando pra casa .
Chorando saltitantes de alegria .
E a mamãe ficou irada com o motorista do ônibus do Itaoca, que nos deu esse banho de lama .
Cabra ruim que molhou os bichim ,amanhã espero ele no ponto ...
E amanhã será outra história .

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As vezes me admiro , mas, na maioria das vezes , me assombro ....
De repente uma nuvem veio
os céus tornaram-se densos
os ventos revolveram-se frenéticos .
A brisa parou
o ar cessou
o mar secou .
O Mundo calou
a chuva cessou
a seca acordou ...
Ouviu-se um choro
um novo rebento
nasceu ao relento ...
De repente outra nuvem tornou
os céus tornaram-se calmos
os ventos abrandaram
A brisa refrescou-se
o ar fluiu
o mar ondulou .
O Mundo sorriu
a chuva voltou
a seca parou .
Ouviu-se um canto
um novo rebento
abençoado nasceu .
Mas um cavalo alado
o levou para longe
para um mundo
feito de cores
Um
mundo
sem
dores ...


Adriana Noronha

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Lanterna
Uma sombra na noite , queria desfazer o melhor dos seus sonhos , vinha sorrateira,com passos macios e silenciosos .
Mas seu coração de menina sentiu a frieza daquela alma lodosa , um ser asqueroso e sádico .
Mas ela ensinou-lhe .
Fique sempre alerta .
Butando sentido em tudo ao seu redor .
Olhando sempre dentro do olho do inimigo .
E assim ela foi .
Fui sem querer .
Amarrada ,angustiada ...
E viu a sua minha vida sumir ,ao longo do asfalto frio ,e girou em volta de si tudo que possuía e naquele momento perdia .
teve uma infância feliz ,e via sua adolescência travar , mudar , girar e surgir em outro lugar .
Ah suas noites ...
Em seus sonhos sempre voltava ao Lar
Que ora seria Lar longe dali
Que estava longe, longe , infinitamente distante .
Reconheceu o mal assim que o vi , sentiu o abalar dos joelhos ,um olhar maldoso ,um maldoso olhar ,que só ela, sabia existir .
Longe da proteção fraterna ,
tornou-se lanterna ,
sempre acessa ,
nunca no escuro ...
De dia se esquivava ,à noite vigiava .
E assim foi .
Até que num cavalo alado , lhe foi enviado aquele que tinha a missão de lhe proteger .
E suas noites se iluminaram ao clarão da Lua.
Sob as assa da proteção daquele que chegou ,
montado no cavalo alado .
Sua alma é livre , dorme sossegada e até flutua .
Adriana Noronha

sexta-feira, 21 de agosto de 2015


Lápis 

Acordo no meio da noite
e saio perambulando pela casa , tudo é silêncio ,tudo é paz ...
Entro nas alcovas do primogênito e do caçula ,dois irmãos quase iguais e tão diferentes .
Um quarto metódico com tudo arrumado ,outro com tudo revirado ,embolado , gavetas no chão ,cama por fazer ...
E eis que vejo pontas de lápis , que foram manuseados pelos dois , vislumbro os sonhos e anseios desenhados à grafite .
E a noite adentra na escuridão da alma ,
na escuridão de minha densa saudade ,
respiro o gelo da brisa noturna
que adormece as emoções,
e as canções de ninar .
São apenas pedaços esquecidos de lápis , pedaços esquecidos de vida , pedaços de arte , de sorte , de sonhos riscados num branco papel , que o tempo tornou pardo .
E assim são minhas noites , perambulando pelos corredores antes alegres, cheios de vida e de desenhos pueris nas paredes brancas .
Porém os desenhos feitos por esses lápis esquecidos , são agora do Mundo
são eternizados por uma coisa chamada ARTE .
E eu estarei aqui esperando ,orando, esperando, orando ...
Já amanheceu a Lua se escondeu , agora será somente eu e a multidão diurna que me envolve ,mas não me absorve .
Espero por outra noite,
para perambular pela casa ,
onde tudo é silêncio
tudo é paz .

quarta-feira, 1 de julho de 2015



Mundinho meu


Não devo insistir em sair do meu mundinho ,
em sair de perto de mim .
Só me deu aquela saudade apertada ,bem apertada ,
uma saudade quase insana .
Então eu fui , me lancei ao vento e fui , fui alegre e
saltitante , fui tão feliz , tão , tão ... Ah .
Atravessei rios e mares , caminhos negros e esburacados
até me perdi , depois me achei ,mas me perdi .
Meu coração pulsava , fervia , pulsava, fervia , voava ,voava ,
sorria , sorria .
Eu ao ter ver me alegrei .
Mas a recíproca não foi verdadeira ...
Não me avisastes .
O que fazes aqui ?
Odeio surpresas ...
E deu-me um beijo emprestado de Judas .
Desmanchei-me no ar .
Minha alma calou .
O coração parou .
O sorriso cessou .
Descobri que nada sou
Eu nada fui .
Eu nada serei ...
Então me fui .
Voltei vazia .
Meu coração não pulsava, não fervia ,não voava ,não sorria...
Então voltei ao meu mundinho
e voltei pra perto de mim .