domingo, 13 de março de 2016
Viver
Ouvi o som do meu coração ,esqueci o som da liberdade vigiada
e assim pisei e travessei o arco-iris ...
E fui .
Fui em passos lentos , bem lentos , caminhando devagar ,deixando o tempo atrasado , enganando a vida que queria correr .
Mas a vida correu ...
O tempo veio e assim fui levada a viver a força , e a força dos deveres ,nos corta as pernas , nos
cega os olhos ,nos consome as forças ,nos engana , nos retalha as carnes já cansadas , inflama o coração que um dia foi doce e inocente , e o pior nos torna dementes .
Fingimos ser o que nunca seremos .
E fui atravessando aquele arco-íris , e na outra ponta não alcancei o que queria , não vi a luz do dia ,não vi ,não verei .
E voltei .
Mas a vida correu , o relógio não parou , a chuva cessou , o rio secou , o mar invadiu o vazio .
E o brio virou breu .
E lá ...
E lá se foi aquilo que nunca existiu , se extinguiu o sonho .
E o Mundo mostrou-se medonho,
tristonho
chato
opaco ...
E o ocaso ,foi o caso final
daquilo que reluzia
mas do outro lado não existia .
A bruma escondeu o caminho de volta ,e a revolta da vida ,é viver ,
é viver .
É apenas viver ,
e viver é o maior martírio daqueles
que tem medo de morrer .
Viver , viver
e ver o que nunca esta lá .
Viver , viver ,viver e nada aprender .
domingo, 28 de fevereiro de 2016
Escuridão
O mês mais esperado do ano ,pelos meninos e meninas, rapazes e moças do Fransquim e da Maria Justa ,era o JANEIRO , eitha a gente não cabia dentro do corpo , parece que o espirito da magia tomava conta de todos nós , e ouvíamos a mamãe e o papai combinando a folga para a filharada , mas a folga mesmo era do papai , pois a casa do Benfica ia ficar entregue ás moscas e claro ele adorava aquela paz ,a gritaria, as brigas ,os choros , as arrengas ,as músicas no mais alto volume iam mudar de endereço ,para ele somente o som de suas máquinas serras e martelos batendo no aço ,para ele sinfonia , e a visão da fumaça de seu cubano.
E de manhã bem cedo um FMN 1970 verde, parava na porta , era uma algaravia , vixe era muita coisa pra botar no caminhão do Seu Manuel ,sacolas ,malas ,e a sanfona ,muita bugiganga , e claro nós ,o contingente era tão grande que o papai contratava um caminhão ,pra garantir a paz dele e nossa felicidade ...
Eu, muito menina ficava com pena ,pois ele nunca " podia " ir ,todos à bordo e o carro ia pela José Bastos e ia seguindo ,nem víamos o trajeto ante tantas brincadeiras na carroceria , e o cuidado do Willame , e de repente estávamos na Serra de Tucunduba .
Estava ali diante dos nosso olhos a imponência da natureza e a grandeza daquela serra , o caminhão não subiria devido as chuvas do nosso inverno cearense ,e carregar tudo lá pra cima era o único castigo , as parafernálias tornavam-se leves , e assim começava a subida para a gloria,e as nuvens se formando ,nós subindo e o riacho descendo bem ao nosso lado ,e aqui e ali uma parada para beber água na bica e empurrar alguém na água gelada.
Aqui acolá aparecia um índio, o pequeno vilarejo sabia que seriam dias de festa ,as senhoras mandatárias não levavam peso , já tinham o ofício de fazer as comidas , e que comidas...
E assim após uma hora de caminhada para cima ,eis que surge a casa, a gritaria era geral , uma construção colonial ao pé do abismo da,pirambeira, do sucavão , com salas gigantes , cozinha enorme , pátios entre os quartos assombrados , e claro com a capela colada à casa , uma área de terra a sua frente, se saíssemos correndo feitos loucos da casa corríamos o risco de descer ,descambar pelo abismo , tudo era maravilhoso , grandes mesas de madeira fornidas ,fogão à lenha , panelas gigantes , camas, e muitas ,muitas redes .
Não sabia de onde saia tanta fartura de comida , que eram guardadas à sete chaves nos armários de parede de portas robustas , que mesmo assim eram violadas , quando lá dentro tinha galinha assada , e quem pegava eram os santos da família acima de qualquer suspeita, eu via tudo mas se falasse ,não comia ,era cúmplice ...
E de noite vinham os sanfoneiros que animavam a escuridão da serra com o som de Luís ,filho de Januário , e a preparação da festa de São Sebastião, aumentava nossa fé .
E a hora do sono vinha carregada de histórias de assombração ,e elas eram bem reais , pois o Rogério Wayne Noronha contava as histórias ,e o Ricardo se vestia de alma penada que vinha à noite perturbar nosso sono ,e pra piorar tudo a luz vinha de lamparinas , velas e lampião a gás, e isso contribuía para aumentar o pavor do escuro da noite tenebrosa .
As almas dos escravos desciam das grandes arvores e levariam quem estivesse do lado de fora da casa , e ai daquele que chegasse até as janelas ,para sequer apreciar a Lua que não aparecia , mesmo que fosse noite de Lua cheia.
A escuridão engolia a casa , e somente a capela ficava iluminada .
Mas lá fora não havia poste de luz ?
Era impossível chegar lá,mesmo estando ela tão perto ...
A escuridão tinha grandes olhos de fogo, unhas gigantescas que podiam partir-nos ao meio,um estômago que cabiam vinte crianças vivas ou não , e ela nos deixava mudos ,cegos, mancos ,nem podíamos respirar ,então para nos salvar tínhamos que dormir ,e só levantar ao primeiro raio de Sol .
E assim os jovens quase adultos se livravam das crianças e os enamorados podiam conversar no salão das festas até o dia raiar , sendo as vezes atrapalhados ou vigiados pelas mandatárias da casa que passavam vez ou outra rezando seus terços de cristal .
E assim crescemos felizes ....
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
"Quem sou você que me responde do outro lado de mim".....
Numa noite ensolarada
saí a vagar acompanhado
de minha breve loucura .
E observava as pessoas dementes ,
de cabeça perfeita ,de pensamentos
nulos ,impuros .
E eu era o insano ...
Eu conseguia ser o eu louco ,
e no meu pensamento oco ,eu me afundava
nas verdades mentirosas .
E vagando em minhas noites ensolaradas ,
eu corria ,corria ,
e assim escorria a minha tristeza em estar vivo ,dentro de uma morta alma fria .
E quando achei a porta, ela era feita de nuvens ,
horrorosamente azuis ,
e vi a cruz ,aquela que não carrego , uma cruz levemente pesada e crua .
Zombei da Lua
da tua
da nua
Danei ,esqueci o que nunca lembrei ,
me fechei no espaço apertado
da minha imensa mente .
Será que sou ou nasci demente ?
Sei não , talvez eu saiba o sim da vida
claramente obscura , vida molemente dura .
Vago dentro de mim,
e vejo que não há nada ,
nada de vago naquele vago lugar ..
Caminho pra morte,
seria minha maior sorte ,
me ver morto num alaúde
onde o choro me ilude,
ilude e inunda minha cabeça
por vezes
rasa
e consequentemente
muito profunda ...
saí a vagar acompanhado
de minha breve loucura .
E observava as pessoas dementes ,
de cabeça perfeita ,de pensamentos
nulos ,impuros .
E eu era o insano ...
Eu conseguia ser o eu louco ,
e no meu pensamento oco ,eu me afundava
nas verdades mentirosas .
E vagando em minhas noites ensolaradas ,
eu corria ,corria ,
e assim escorria a minha tristeza em estar vivo ,dentro de uma morta alma fria .
E quando achei a porta, ela era feita de nuvens ,
horrorosamente azuis ,
e vi a cruz ,aquela que não carrego , uma cruz levemente pesada e crua .
Zombei da Lua
da tua
da nua
Danei ,esqueci o que nunca lembrei ,
me fechei no espaço apertado
da minha imensa mente .
Será que sou ou nasci demente ?
Sei não , talvez eu saiba o sim da vida
claramente obscura , vida molemente dura .
Vago dentro de mim,
e vejo que não há nada ,
nada de vago naquele vago lugar ..
Caminho pra morte,
seria minha maior sorte ,
me ver morto num alaúde
onde o choro me ilude,
ilude e inunda minha cabeça
por vezes
rasa
e consequentemente
muito profunda ...
Ao seu insano e consciente irmão .
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Raízes
O quê seus olhos vêem ?
Num simples tronco esquecido e sem uso ?
Metaforicamente ...
Vejo minha jornada de vida .
Claro que excluindo as boas coisas que vivi e que ainda possuo ...
Por vários anos acreditei não existir o mal .
Mas isso foi quando era criança ...
A adolescência foi cruel , mamãe me avisou .
CUIDADO ...!
E eu claro me armei com a Divina Couraça Divina .
E o tempo passou.
O mal acordou , sobrevoou minha vida novamente ,mas eu já era adulta,e apesar de tudo ainda acreditava num Mundo lúdico e mágico.
E nesse buraco sem vida ,vi de novo a face do inominável.
Um rosto , uma cara , um olhar tenebroso,gélido,sem vida ,dantesco,sem expressão,diabólico,demoníaco.,insano ...
Envolto num lodo árido ,sem viço,matéria morta .
E o medo ?
Medo !
Sou semente boa,
Sou filha de Deus
Sou filha de Francisco e Maria.
E assim renasci
Podia estar dormente
Mas germinei novamente...
E minhas raízes crescerão firmes e esmagarão essa face inoportuna
e serei livre.
Serei eu ,
serei livre de todo mal.
Serei livre de tu .
Num simples tronco esquecido e sem uso ?
Metaforicamente ...
Vejo minha jornada de vida .
Claro que excluindo as boas coisas que vivi e que ainda possuo ...
Por vários anos acreditei não existir o mal .
Mas isso foi quando era criança ...
A adolescência foi cruel , mamãe me avisou .
CUIDADO ...!
E eu claro me armei com a Divina Couraça Divina .
E o tempo passou.
O mal acordou , sobrevoou minha vida novamente ,mas eu já era adulta,e apesar de tudo ainda acreditava num Mundo lúdico e mágico.
E nesse buraco sem vida ,vi de novo a face do inominável.
Um rosto , uma cara , um olhar tenebroso,gélido,sem vida ,dantesco,sem expressão,diabólico,demoníaco.,insano ...
Envolto num lodo árido ,sem viço,matéria morta .
E o medo ?
Medo !
Sou semente boa,
Sou filha de Deus
Sou filha de Francisco e Maria.
E assim renasci
Podia estar dormente
Mas germinei novamente...
E minhas raízes crescerão firmes e esmagarão essa face inoportuna
e serei livre.
Serei eu ,
serei livre de todo mal.
Serei livre de tu .
Adriana Noronha
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Pesar
O pesar ,carregamos às costas ,
vamos seguindo nosso rumo ,nossa lida,
passando por caminhos em que outrora fomos felizes.
O pesar está ali,bem ali,no surrado coração,a liberdade é efêmera, vivemos presos,vivemos realmente presos...
O inferno são os outros ?
E eu sou santa ?
E tu és o vilão ?
O pesar nos pesa na alma.
Calma,calma meu coração,vou te aliviar,folgar teu nó,deixar tu viver ,
vou de tu ter dó.
Vou carregar o meu pesar na mão .
Quero te aliviar tirar de tu a solidão.
Minha mente voa,vou à toa , sou a fria garoa ,minha Lua é morna , e o Sol não me esquenta ,ele com seus raio minha saudade aumenta.
Vai, não inventa , Levanta e tenta .
O pesar pode pesar pouco,seja tu ,seja rouco ,seja louco,mas nunca ,nunca seja oco .
Não tenha medo da sorte,adie sua morte,seja mais nobre,seja forte,mesmo que te faltem forças.
Ouças o som do trovão .
Esse som vem do seu coração.
vamos seguindo nosso rumo ,nossa lida,
passando por caminhos em que outrora fomos felizes.
O pesar está ali,bem ali,no surrado coração,a liberdade é efêmera, vivemos presos,vivemos realmente presos...
O inferno são os outros ?
E eu sou santa ?
E tu és o vilão ?
O pesar nos pesa na alma.
Calma,calma meu coração,vou te aliviar,folgar teu nó,deixar tu viver ,
vou de tu ter dó.
Vou carregar o meu pesar na mão .
Quero te aliviar tirar de tu a solidão.
Minha mente voa,vou à toa , sou a fria garoa ,minha Lua é morna , e o Sol não me esquenta ,ele com seus raio minha saudade aumenta.
Vai, não inventa , Levanta e tenta .
O pesar pode pesar pouco,seja tu ,seja rouco ,seja louco,mas nunca ,nunca seja oco .
Não tenha medo da sorte,adie sua morte,seja mais nobre,seja forte,mesmo que te faltem forças.
Ouças o som do trovão .
Esse som vem do seu coração.
domingo, 3 de janeiro de 2016
Santa mãe de nós
Estamos agora tão longe dela ...
E naquele cortejo todos e todas tão bonitos e bonitas
bem vestidos .
Juntos ,pelo menos naquele momento ...
Rezando e ouvindo o sermão , todos contritos e falando como gostavam dela ,
o quanto era maravilhosa, uma mãe querida ,uma avó perfeita ,uma esposa devota ,sogra gentil ,uma tia adorável digna de todas as honras e louvores .
E muitos ,muitos abraços e sorrisos ...
Um picadeiro armado chamado velório onde todos se reúnem , quase todos ,faltou o caçula .
Por quais caminhos ele estava ?
Que não pudesse correr a esse último encontro ...
E quem somos nós para julgá-lo , por certo somos todos santos .
A matriarca sempre foi austera ,por muitas vezes megera ,manipuladora dos destinos alheios , opressora ,descobria um santo para cobrir outro , retaliadora , ciumenta , pragmática e nos criou a mão de ferro .
Seu maior desgosto não devo citar , sua maior qualidade , a generosidade, nunca foi dissimulada , dizia na cara mesmo ,orgulhosa muito orgulhosa .
E cantava sempre sorrindo para nos embalar em vida .
Sua morte não a torna SANTA .
Mas a sua alma torna-se livre e vai pairar num infinito desconhecido .
Então aos que a amaram ,aos que algumas vezes a desrespeitaram ,aos que a veneraram talvez para se redimir dos pecados ,aos que a admiravam e aos seus filhos e filhas ,tenham tolerância ,sinceridade ,benevolência ,para que nossa familia não abra falência
E que Deus dê a nossa mãe um bom lugar .
Ela agora é Santa ...
Santa mãe de nós , seus filhos e filhas .
Vento amigo do tempo
O que dizer de você ?
O que falar da Senhora de todos nós ?
Nada .
Nada pode nessa hora fazer .
Onde estais agora ?
Por quais caminhos seguiu, teu espírito incansável, teu espírito dominador ,tua voz altiva,tuas palavras ferinas, tuas doces palavras , tua sagacidade em identificar o mal,tua índole controversa,teu amor, teu clamor ,teu rancor, tuas preces,tuas vestes.
O absoluto tu encontrastes ?
Ou absolutamente não existe mais vida alem da vida ?
E nós teus filhos e filhas ?
Ainda somos nós ?
Somos não !
Somos cão !
Não somos mais nós .
Somos sós .
Orfãos de pai e principalmente de mãe .
O vento amigo do tempo nos espalhou , espatifou-se aquela união , agora é cada um por si ,tamo juntos mais não .
O mais velho se foi .
A preferida virou-me as costas .
A poderosa voou .
Ainda tenho o justo perto de mim .
A de cabelos cacheados mora longe .
O artista esqueceu as cores da vida .
O motorista gosta mais da preferida .
A Colega fica entre a cruz e a espada.
Esse desmanchou a vida e ainda não a refez .
O irmão pacato cidadão se foi , ceifado pelo inominável .
O fortão sempre foi um fraco .
Eu , eu sou a Ovelha Negra .
O caçula trancou-se em seu mundo transcendental .
E assim será ...
Até que um de nós tenha a audácia , a astúcia , a coragem de reunir todos de novo , não num funeral ...
Mas nos reunirmos de novo no nosso encantado quintal , naquela mesa antiga que nos juntou por anos sem fim .
Um sonho impossível ?
Ou um sonho sonhado junto ?
O tempo amigo do vento ,pode um dia nos juntar novamente ?
O que falar da Senhora de todos nós ?
Nada .
Nada pode nessa hora fazer .
Onde estais agora ?
Por quais caminhos seguiu, teu espírito incansável, teu espírito dominador ,tua voz altiva,tuas palavras ferinas, tuas doces palavras , tua sagacidade em identificar o mal,tua índole controversa,teu amor, teu clamor ,teu rancor, tuas preces,tuas vestes.
O absoluto tu encontrastes ?
Ou absolutamente não existe mais vida alem da vida ?
E nós teus filhos e filhas ?
Ainda somos nós ?
Somos não !
Somos cão !
Não somos mais nós .
Somos sós .
Orfãos de pai e principalmente de mãe .
O vento amigo do tempo nos espalhou , espatifou-se aquela união , agora é cada um por si ,tamo juntos mais não .
O mais velho se foi .
A preferida virou-me as costas .
A poderosa voou .
Ainda tenho o justo perto de mim .
A de cabelos cacheados mora longe .
O artista esqueceu as cores da vida .
O motorista gosta mais da preferida .
A Colega fica entre a cruz e a espada.
Esse desmanchou a vida e ainda não a refez .
O irmão pacato cidadão se foi , ceifado pelo inominável .
O fortão sempre foi um fraco .
Eu , eu sou a Ovelha Negra .
O caçula trancou-se em seu mundo transcendental .
E assim será ...
Até que um de nós tenha a audácia , a astúcia , a coragem de reunir todos de novo , não num funeral ...
Mas nos reunirmos de novo no nosso encantado quintal , naquela mesa antiga que nos juntou por anos sem fim .
Um sonho impossível ?
Ou um sonho sonhado junto ?
O tempo amigo do vento ,pode um dia nos juntar novamente ?
Adriana Noronha
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