quinta-feira, 11 de julho de 2019

Lá no nosso quintal encanto era assim, se quiséssemos ver as estrelas ou a Lua, tínhamos que subir nas árvores e subir no galho mais alto, afastar as folhas e assim contemplar o céu, as estrelas e ver o brilho da Lua.
Nosso telhado era o verde de nossas enormes árvores, e algumas sustentavam nosso varal de roupas, e eram realmente muitas.
Vestidos bordados no linho,as calças de tergal azul,da escola, o uniforme do exército,as roupas do Seu Brasil, lavadas separadas por conta da graxa.
O Sol mais audacioso ,mostrava seu poder e adentrava em forma de raios celestes, e acendia o fogo de nossos corações.
E a noite era realmente escura, e do escuro saiam a passear nossas assombrações, o Vovô Chiquim, com suas mãos esqueléticas gigantes suas unhas pontiagudas, a nos tocar as costas,e assim atravessávamos o quintal correndo esbaforidos.
A Vovó Lidia vestida de marrom com um terço fluorescente nas pequenas mãos,e um olhar doce,mas que também nos fazia correr, o Tio Cesár, o Té com seu cabelo branco tipo escovinha, o olhar enigmático e apaixonado por nós seus sobrinhos,já que a Tia Maria do Carmo era seca,segundo a mamãe e não lhe deu filhos, que também nos fazia correr noite adentro.
Os coqueiros se transformavam em grandes monstros de pernas longas e finas, pareciam saídos de nossa Enciclopédia que mostrava quadros dum tal Dalí . As árvores nos engoliam e nos prendiam em seus troncos largos espessos e crespos, e não adiantava gritar os adultos não ouviam, mesmo que estivessem namorando ao pé das arvores ou apenas reunidos a fazer serenata .
Bem que a mamãe falou ...
Não vão no quintal !
Mas os quatro caçulas iam mesmo, e numa noite mais escura ainda, uma luz que mais parecia um cometa, mostrou a face do Vovô Deodato, seus olhos azuis reluziam e não nos assombramos, contemplamos aquele sonho.
Amanheceu, a mamãe soube do ocorrido, não nos assombramos, não tivemos medo.
Claro , era o papai !
Assim falou mamãe.
Então nos crescemos, e agora sabemos que era a mamãe que nos assombrava, com o que ela pensava que era nosso Vovô Chiquim, Vovó Lídia era uma Santa, e o Té fino,educado,e muito amável...
Realmente nosso terror sempre foi a mamãe.
E a sua presença nunca se esvai, daquele encantado e bem assombrado quintal encantado ...

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Não ouviram a voz do povo.
Eles tinham ouvidos de mercador.
E seria derrubado o boi marruás.
Ao crepúsculo juntaram marretas
em mãos de soldados mandados.
E o anoitecer veio cheio de lamentos, e de lá o boi olhava
aqueles pobres homens endiabrados.
E aos poucos aquela edificação, sem nenhuma função foi sendo
marretado, trucidado, ceifado.
O boi caiu ao chão, diante de olhos incrédulos do povo pacato, do pacato povo,
uns riam outros choravam...
Tem nada não, de lá o boi não sairá,
metafisicamente ele sempre estará lá.
E doravante ouvirão seu mugido de dor,
a cada aurora ele silenciará, paralelos,
transeuntes e carros tomarão o seu lugar, mas de lá ele não sairá,
e uma nova lenda se criará.
Ao crepúsculo ele surgirá, e no anoitecer vai mugir,
até fazer um vivente gelar, as bancas estarão cheias de carne fresca e vermelha,
os magarefes com suas facas afiadas,
um entra e sai de gente que já se foi,
o tilintar de moedas antigas passando de mão em mão,
num dia tórrido de verão.
Quem viveu e viu, para sempre verá o antigo açougue naquela rua oca,
antes um beco febril, animado e apertado,
será um
lugar largo
e sinistramente
mal assombrado.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Mamãe amanheci pensando em ti,
pensando no tempo em que eu era só uma pequena menina, entranhada naquele meu mundo pueril.
Puta que pariu !
A senhora dizia toda vez que paria uma filha.
Dos seus quatorze rebentos, cinco vieram com defeito...
Nasceram meninas.
Mas lá no seu mundo androcêntrico, a senhora era feliz, e foi assim que criamos nossa raiz.
Lá naquele lugar encantado, fui a criança mais feliz, crescendo entre cajueiros e azeitoneiras, bebia água de côco todo dia, comia canapu, sapoti roubado na casa da vizinha, era de aço nossa bicicletinha.
E lá na cozinha se completava aquele ciclo dourado, café torrado, cuscuz caprichado, o ovo era estalado, Raquel sempre chorava pelo leite derramado, pois ela tinha que limpar o estrago, mesa farta de comida e muita fartura de lindos e robustos meninos, eles eram sempre os preferidos.
Édipos e Jocasta.
Enquanto isso ela nos castrava, o cuidado e a vigilância sobre nós era dobrado, em casa, na rua, na escola, e até na Santa Missa.
Nossa missão, era sempre obedecer.
E sermos sempre prendadas e boas meninas, e assim foi, o tempo veio, o tempo girou e o tempo nos transformou em gigantes meninas, não foi triste nossa sina.
Hoje compreendo que a Maria, só queria fortalecer suas meninas, tornar-nos fortes fortes mulheres, e hoje somos quase assim que nem ela.
Puta que pariu !
A mamãe já partiu.
E eu que nutria por minha mãe megera um ódio secreto e pueril, nunca revelado, hoje me orgulho ter sido criada á mão de ferro.
Pois não medo nem do Cão, minha força vem do orgulho de ter nascido filha daquela Maria.
Se pudesse fazer o relógio parar, para seu útero voltaria, e tudo de novo sofreria, e minha sina seguiria, queria as mesmas surras, os mesmos gritos, os beliscões secretos na casa das comadres, a vigilância, a arrogância nas ordens, o olhar que me derrubava ao chão, e assim seria feliz meu coração.
Vou te procurar em meus sonhos, vou te espiar escondido daqui, e ver que o céu é agora teu lugar, quem sabe quando eu me for, e se puder lá entrar eu vou em teu colo me aconchegar...

sábado, 27 de abril de 2019


Inocentes meliantes

Nos tempos de criança, éramos treze, de uma prole de quatorze filhos e filhas do Seu Brasil e da Dona Maria Justa, lá na Carapinima.
Hoje adulta descobri como a mamãe, pode criar tantos meninos e meninas.
De manhã papai saía pela casa a arrastar sua alpercatas, para nos acordar, eram quinze redes espalhadas por ordem de hierarquia, e ao levantar tínhamos que enrolar as redes, para nossos anjos da guarda levantarem também junto conosco.
A correria ao banheiro era grande, e também existia a separação de classes, primeiro as moças, depois os rapazes, e por último nós os pirralhos...
Enquanto havia uma grande algaravia entre nós, lá da cozinha, os cheiros que nos encantava tomava conta da casa, da rua, da vizinhança, uma toalha de Ana ruga vermelha cobria a grande mesa, café leite, pão, cuscuz, mingau de carimã, e o horrível e obrigatório mastruz com leite,eeeeeca, se quissésemos, morrer era só não beber...
E todos seguiam seus destinos, e o meio dia passava rápido, e de novo o mesmo alvoroço no almoço, depois fazer as tarefas da escola, e as de casa, era muita coisa pra arrumar, os homens varriam o imenso quintal, as moças lavavam as roupas, muita água, sabão e um imenso e psicodélico varal, a farda do primogênito tinha um lugar especial, secava á sombra do bambuzal.
E ás cinco da tarde todos á postos sob o comando do artista da casa o Reinaldo, sungas, maiôs olímpicos, toalhas na mochila, saímos pela Avenida da Universidade, pelo fundo do nosso encantado quintal, pulávamos a calçada do Mira e Lopes, ordem da mamãe, senão os doidos podiam nos puxar lá pra dentro. E ai pioraria a situação deles, pois loucos éramos nós...
Nos benzíamos em frente a igreja de Nossa Senhora dos Remédios.
Quebrávamos á esquerda na Reitoria, e seguíamos em fila indiana pela Treze de Maio, um brincava dali, outros corriam deixando os pequenos por último, e esperavam na esquina da Concha Acústica com a rua Nossa Senhora dos Remédios, e faziam RÁÁ, susto da porra, ai que ódio...
Antigamente as pessoas eram de bem.
Hoje são de bens !
O padeiro deixava o pão nos muros que eram seguramente baixos, e o leiteiro fazia o mesmo ritual, e no muro ficava até o jornal.
E assim seguíamos, em frente, Praça da Gentilândia, EscolaTécnica Federal do Ceará, pegávamos a calçada do Touring Club, e andávamos em paralelo ao 23 BC, e dobravámos para o Maguary.
Cujo Diretor era o meu padrinho o homem mais lindo de Fortaleza, Oscar carioca Alencar.
A bença meu padrinho !
Deus te abençoe, Cumade Cirninha.
E pulávamos na piscina para treinar até as oito horas da noite, sem parar pra descanso, e suávamos dentro d'água.
Depois de volta pra casa, moídos, cansados e famintos, a fila ia se arrastando de volta, ai Meu Deus, como nossa casa ali pertinho, tinha ficado lá longe...
Voltando ás avessas, Touring Club, Escola Técnica Federal,Pracinha da Gentilândia, e um quarteirão razoavelmente pequeno, e naquela casa de esquina de muro baixo, um pacote de pão da Panificadora Ideal, duas garrafas de vidro com leite, o Jornal O Povo,e o Tribuna do Ceará, ali no muro intactos, desde a hora em que fomos pro Maguary...
Nos olhamos assim ressabiados, e embebidos em nossa fome, viramos inocentes jovens meliantes.
Vão na frente, corram e me esperem na outra esquina.
Falou o Reinaldo !
E assim fizemos, corremos...
E lá vem ele com pão, leite, e muita informação, no caso dos jornais.
Sentamos no gramado da Reitoria e degustamos a prova do nosso crime corporativo.
Bora negada !
E no caminho de casa, um lembrete, um lembrete de vida ou morte !
Segredo de Estado.
Se descobrirem nossa subversão, o Willame vai ser expulso do Colégio Militar de Fortaleza...
E nós banidos para o Paulo Sarasate.
E se a mamãe descobrir, vamos juntos pro inferno.
E hoje completam-se quarenta e sete anos de nossa doce vida de bons delinquentes mirins.
Essa era a minha Antiga Fortaleza.
Minha Fortaleza Antiga...
Adriana Noronha

sexta-feira, 29 de março de 2019

Catedral de Fortaleza

O Sol nascia inspiradamente quente lá na Carapinima, o seu Brasil pegava sua Monark Barra Forte e saia cedinho para comprar o pão na Bodega do seu João, e trazia também o leite Betânia, a manteiga Itacolomy, e de quebra comprava seus charutos, e a mamãe já de pé aprontava o café Mellita, o xitixiti da panela de pressão espalhava o cheiro do feijão cheio de linguiça e bacon pela vizinhança, e sua prole de treze filhos e filhas ia despertando para o vuco vuco de nossa doce vida, na capital Alencarina, uma mesa farta de comida e de gente, gente pequena e gente grande, moças bonitas,rapazes robustos, e as crianças que já iam sozinhas pra escola de ônibus...
Eu pegava o Parangaba Aldeota que vinha pela João Pessoa, atravessava a Padre Cícero e já era a Avenida da Universidade, seguia pela General Sampaio, e eu tentava passar rapidamente por baixo da roleta, o trocador só piscava o olho, e ia para a frente do ônibus, para ver a famosa Catedral que estava sendo construída, eitha era E-N-O-R-M-E, minha escolinha ficava dentro do Colégio Militar de Fortaleza, Escolas Reunidas General Tibúrcio Cavalcante, e passava a manhã com a Tia Isaíla, ao Meio dia pegava de novo o Parangaba Aldeota na Costa Barros e ele descia pelo Passo Municipal, circulando de novo a Catedral, e eu de novo observava o movimento dos homens naquela mão de obra sagrada.
O ano era mil novecentos e setenta e dois, eu com nove anos, ouvi de uma moça chamada Pretinha, que veio de Caridade trabalhar lá em casa, que a Catedral nunca ficaria pronta, eu em minha pouca idade fiquei intrigada com aquele comentário.
E na minha labuta diária de ir e vir da escolinha, observava o progresso daquela construção dia a dia, e a torre começava a erguer-se,terminei o primário, e fui pro São Rafael lá na Imperador, perto de casa, ia à pé, mas à tarde fazia natação lá no BNB Clube com a Rita Gaspar Bezerra de Menezes, filha do Seu Valdemar e Dona Clotilde, namorada de meu irmão mais velho,e de novo pegava o Parangaba Aldeota e podia observar a Catedral sendo erguida, tijolo a tijolo.
E os anos foram se passando.
Pretinha a catedral vai ser concluída.
E ela respondeu - Pode ser, mas no dia de sua inauguração sairá de lá uma besta fera !
E eu sempre ali na frente do ônibus que circulava por inteiro a Sé, e nem notei que já era uma moça com meus 1,75 e com quinze anos, então o Nazareno anunciou a inauguração da Catedral de Fortaleza. Eitha !
E eu vou, e fui, e foram também todos os Fortalezenses, Dom Aloízio e todo o clero cearense, e eu lá no meio do povo de fé, entre Ave Marias e Pai Nossos, a fé do cearense aumentou e de lá não saiu a besta fera, e a historinha que ouvi quando criança, não se concretizou.
E no ano de mil novecentos e setenta e oito no dia dezoito de dezembro inaugurou-se a Catedral de Estilo Neo Gótico, com seus vitrais multicoloridos, e muito espaço para aumentar nossa fé em templos e tempos melhores.



Adriana Noronha

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Fortaleza minha

Meu sonho é voltar pra casa ...
Mas onde ela esta ?
Ali na Carapinima, lá no Benfica,mais precisamente em Fortaleza, no meu Ceará...
Eu andaria pelo trilho com meus irmãos e irmãs , subiria novamente naquele gigante
vermelho , chamado trem, que saía do AtarBonfim, iria pra Maracanaú, e naquela cadência das rodas de ferro nos trilhos, embalaria de novo meus bons momentos de menina feliz,ao chegar lá.
Pularia do trem, e cairia de novo , tentando imitar meus irmãos ao chegar
à estação .
E ao chegar ao portão de minha casa, viria os meus irmãos e irmãs , a velha placa da oficina , O Chico Brasil , ainda estaria a balançar junto com o vento ...
Minha bicicleta estaria a me esperar , para as ruas asfaltadas mais distantes desbravar , e ir direto ao mar , amar o mar o meu verde mar ...
Mergulharia naquelas brancas ondas , sentiria de novo o calor intenso , e
a minha pele bronzear .
E lá na escola , desfilaria feliz com meu sapato de boneca preto e brilhante ornado de meias alvinhas, diante de minhas arqui inimigas , e vigiaria as amigas fumando durante o recreio, em cima do pé de jambo .
Abraçaria a própria irmã Ana Maria.
Ela era mesmo uma megera, ou eu é que seria a fera ?
Ah ! Acho que não , eu só era , feliz ...
Me escondia atrás do piano , fazia xixi na piscina ,na sala de aula me concentrava só quando precisava, no ginásio jogar, mas se queria me salvar , era na capela que ia orar , só Deus e eu .
Na volta pra casa Imperador sentido Carapinima, o trânsito fervia e fluía,sempre na bicicleta de cestinha Jeans,as vezes um assobio, um transeunte falava gostooosa, um carro ou outro buzinava, e as vezes um carro parava e deixava eu seguir...
E lá em casa, me esperava o melhor feijão, carne de primeira, arroz com cenoura,macarrão ao alho e óleo e suco da fruta da goiabeira .
Minha mãe alegre e satisfeita olhando todos os bons frutos da sua colheita, chegando um por um,do preferido ao caçula.
E aquele cheiro do Cubano que saía da caixa de madeira e ia relaxar o Brasil , o Seu Brasil ,o papai, que após o almoço tirava um cochilo em sua cadeira de couro e madeira ...
Meu sonho é voltar pra casa
Mas ela não esta mais lá .
O tempo passou , uma brisa a levou , e com a brisa se foram os tempos de paz,
se foram todos , todos .
Se foram nós .
E o que foi uma vez uma vida ...
Transformou-se numa aventura, de atravessar fronteiras e talvez lá não chegar,por conta da maldade humana, que nos priva de voltarmos ao nosso encantado lugar.
Devolvam o meu Ceará.
Tirem das trevas a Terra da Luz.

Adriana Noronha



quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Balanço

Onde mora a felicidade ?
A minha morava ali naquele quintal encantado, naquela
arvore gigante ...
Você já abraçou uma arvore ?
Nao !
Te chamariam de louco , maluco , doido mesmo .
Mas num belo dia ao acordar nosso cajueiro estava enfeitado com
um lindo balanço !
Ah !
E no balanço uma rosa Dália lilás , olhei ao redor ninguém,
ninguém mesmo ...
Mas sabia que era obra do papai ,do Seu Brasil, pois no laço da corda fornida,havia uma marquinha da graxa de suas mãos , mãos que entortava ferros ...
Mas que moldava também sonhos ...
Um balanço com uma sobra da madeira da serraria do Seu Oliveira, quase nosso vizinho, quatro furos feitos na pua, acho naquele tempo não existia serra circular,lixado no capricho...
Sentei-me , ajustei-me ,olhei pra cima e os cajús encarnados exalavam seu cheiro mágico.
Tirei meus pés do chão , e fui , fui,
fui ao mais alto de mim ...
E encostava meus dedos dos pés nas nuvens , voltava , ia de novo , vinha
voltava , ia de novo ...
E assim esquecia que o Mundo existia , envergava meu corpo para trás até sentir meus cabelos arranhando a areia do nosso quintal no Benfica.
E as nuvens passavam , a Lua vinha , o Sol alegrava e energizava
aquele lugar ...
Mas um dia veio a noite , adormeci e acordei no mundo de gigantes ,
chamados adultos , eu era um deles , e crescera ...
E os ventos vieram , misturaram tudo , e mudaram as cores do lugar ,
então parei de embalar meus sonhos ...
Mas fui feliz , e minhas lembranças me levam onde sempre estive ,
perto das nuvens !
Perto de mim e mais perto ainda de um pai que
falava pouco , mas fazia muito ...
Fazia muito e falava pouco ...
E para voltar àquele encantado lugar.
Deito na rede, e assim sonho, o sonho bom que foi viver lá...
o sonho bom de sonhar.
O sonho bom de ser menina lá na Carapinima...

Adriana Noronha