De novo atravesso a dimensão de minhas saudades, vou flanando até aquele lugar encantado.
terça-feira, 4 de outubro de 2022
segunda-feira, 29 de agosto de 2022
Desistir
O vazio dentro de mim,se assemelha a um barco que tem medo de atracar no cais, mas o mar me chama, ele clama e em lágrimas me derrama, e não me ama.
É um pedaço de mim,
que não me pertence, mas toma meu corpo frio, meu corpo louco,
o meu eu rouco,me toma um pouco do muito, que não sou.
E te digo a mim, tu é quem mesmo ?
Sei não, nasci aqui ao relento, em meio ao vento ,não tenho alento, a lente, a mente, que por hora ri, e noutra chora, e não mora em lugar nenhum.
E eu fico sem jeito, e me deito onde jaz minha alma fria, a brisa me enebria, não tenho guia, eu penso que tu sou eu ou eu sou tudo aquilo,reduzido a nada, na água se foi, ou se esvai, sem nunca ter vindo.
Tento esquecer, que existo, insisto em não ser visto, e da cruz desisto, eu pulo, o muro, a ponte, do trem, não vem, não vou ,não fui, não sou,não ando, rastejo,pelejo, tenho um desejo, só ser ou ser só.
Essa face calada, exilada, amordaçada, amaldiçoada, cansada de viver, sem medo de morrer ,sem medo da porta, pensando na sorte de ser apenas pó, sem nó, sem dó, sem sol, sem sal, sem mal.
Preciso de um sonho, pode ser medonho, mas um sonho, onde eu fuja de mim, e me salve do meu próprio eu, cansei de lutar comigo, sou muito fraco para conter minha força em não querer viver.
Ai vem alguém escondido dentro de mim...
Vai desistir ?
Eu sou tu, e quero morrer vivendo, sofrer de sangue quente, quero estar com meus pés rente ao chão, e não numa lápide eretos, quero sentir meu coração pulsar, quero acreditar, pular no mar, derrubar o muro, atravessar a ponte, viajar de trem, quero ir com você muito além...
Além eu , além tu, além mar.
Vou te ensinar a amar, amar tu, amar eu, a marte, a vênus, a lua, a tua alma linda,seja dessa vida bem vinda.
Aos meus alunos e alunas que lutam com eles mesmos... Adriana Noronha.
sábado, 27 de agosto de 2022
Eles estão voltando
quarta-feira, 24 de agosto de 2022
Abri os olhos naquela manhã lânguida e imediatamente vi o sol,em todo seu resplendor.
terça-feira, 26 de julho de 2022
Gatixa, a lagartixa
Um dia a lagartixa, entediada com sua pacata vida, naquela casa de paredes caiadas, resolveu descer para dar uma volta nos arredores.
Afinal ela sempre estava passeando nas paredes, pra lá e pra cá, sempre perto das telhas.
Ela estava cansada de brincar com sua sobra, que se agigantava quando passava perto do candeeiro.
Saiu num dia ensolarado, passou pelo jardim, foi indo, indo, e atravessou a cerca.
Tu vai aonde ?
Perguntou o morceguinho. Vou passear.
Cuidado ! Tu é lagartixa de parede.
Eu sei !
E lá se foi ela.
Passeando pela vereda, viu uma flor e se encantou, sentiu o cheiro do manjericão, que sensação, e foi indo, indo.
De repente atravessa a vereda uma cascavel...
Bom dia. Falou a lagartixa
Tá falando comigo ?
Nossa que pele linda a sua, parece uma armadura, que desenho lindo.
Essa não é certa da bola. Pensou a cobra.
Tu sabe com quem está falando ?
Sei não !
Mas deixa eu me apresentar.
Sou Gatixa, a lagartixa de parede.
E você ?
Sou somente uma cascavel, a responsável pela morte de todo mundo.
Viuge !
Isso é fofoca né ?
Eu gostei de você, adorei esse chocalho na sua calda, é o máximo.
O que você faz da vida ?
Mato gente !
Adorei teu senso de humor.
Hoje não tô num dia bom. Retrucou a cascavel.
Então abra seu coração, me conte a sua história.
Eu sou a culpada da morte de todos por aqui, se morre um bode, sou eu, uma vaca sou eu, um caititu, sou eu, um tabaréu sou eu a culpada.
Criatura deixe de besteira, isso é intriga dos invejosos, achei você tão tranquila, liga pra isso não.
Você não sabe metade da missa.
Pronto vou te provar que tudo é culpa minha.
Vamos esperar passar um tabaréu por aqui, quando ele se aproximar, você morde a canela dele, e se esconde, e eu apareço.
Tá bom !
Fique ligada.
E lá vem o tabaréu, tranquilo para mais um dia de trabalho na roça.
A gatixa mais que depressa ,mordeu o calcanhar do homem, correu, se escondeu, e a cobra apareceu...
Meus Jesus ! E o tabaréu caiu morto em cima da cobra.
Viu ! Num te falei !
Calma amiga, foi coincidência.
Então tá, vamos inverter, vamos esperar outro tabaréu, eu vou morder, me escondo e você aparece.
Tá bom ! Falou a Gatixa.
E lá vem pela vereda outro tabaréu.
A cascavel veio sorrateira, mordeu a canela do homem, se escondeu rapidamente, e a lagartixa apareceu.
Peste, praga, quer me matar de susto, pensei que fosse uma cascavel.
Chutou a lagartixa pra longe, e continuou o seu caminho.
Viu aí !
O cara foi embora, eu mordi, mas ele viu foi você, e não morreu.
E assim começou uma longa amizade entre a cascavel e a lagartixa de parede.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
You can always come home
domingo, 5 de setembro de 2021
Quando tinha apenas cinco anos,lembro do comboio de irmãos indo para a pré escola, guiados pelo irmão seminarista, nossa fardinha azul, com camisa de anaruga quadriculadinha linda, seguíamos á pé, pela avenida da Universidade, e dobrávamos na Treze de Maio, o quarteirão da Reitoria, a concha acústica, a praça da Gentilândia, a Escola Técnica Federal, e o 23º BC, passávamos pelo seu imenso portão, o primogênito já estava lá dentro, era 3º Sargento de infantaria, o bom moço.
Nossa escolinha ficava dentro daquele quartel, ali estavámos protegidos, de quê ainda não sabíamos, mas estavámos seguros, a escola tinha guarita com soldados armados, imensas mangueiras nos protegiam no recreio, as professoras eram belíssimas, austeras, mas carinhosas.
E chegava o 7 de Setembro tão esperado por nós pequenas criaturas, eu era enfermeira, meu irmão caçula bombeiro, a irmã mais linda era fada, o outro soldado, e um quis ser mecânico, e marchávamos tão, tão alegres, que as evoluções daquela marcha, inebriava nossos pais e mães que assistiam aquele espetáculo cívico pueril.
Mais tarde no Colégio de freiras que não marchava, mas nos dava a oportunidade de irmos ao 7 de Setembro, ficar nas arquibancadas vislumbrar aquele desfile grandioso, cheio de aparato militar, a esquadrilha da fumaça fazia evoluções de fumaça multicolorida sobre aqueles homens maravilhosamente lindos dentro de suas impecáveis fardas azuis, verdes, brancas, camufladas, seguidos dos tradicionais colégios, meninos e meninas impecavelmente alinhados nas suas fardas colegiais, nem o calor do asfalto sentiam aos seus pés.
O mundo girou, os ventos vieram e agora o cenário descortinou-se, um ser abjeto transformou ou transformará o 7 de Setembro num campo minado, acredito hoje que na minha pueril idade, toda aquela magia fosse o dito CONTROLE SOCIAL, afinal naquela época existia a tal da Ditadura, que para nós crianças era apenas um nome parecido com dentadura.
Voltando ao ser abjeto que através do controle social chamado "rede social" influencia mentes, que não são ocas, são apenas mentes não pensantes, e promove um levante de futura violência, num país de pacatos cidadãos, tão pacatos que não percebem que são escravizados, por quem os governa, e envergam a coluna lombar, dorsal, cervical, demonstrando que deles são serviçais.
O povo sempre será esmagado por quem deveria e deve trabalhar para mudança de paradigmas das classes menos favorecidas, para a inserção das políticas públicas, para a evolução da ciência, para o fortalecimento da educação, e a permanência do Sistema Unico de Saúde o SUS, e para o enfrentamento de respeito ás diversidades...
Quem vai para o front ?
Enfrentar o general, que nunca foi pra geral, sempre esteve guardado no palácio pago pelo pacato povo, povo esse que irá tombar ao reivindicar seus direitos, cuidado a morte espreita a cada esquina, pode estar o seu leito, o leito de morte, a sua sorte vai ser talvez uma bala de borracha, que no meio da testa racha, e acaba com sua raça, e para as mães que apoiam esse tenebroso evento, cuidado com a força do vento, que ás vezes vira, e acerta em cheio o seu robusto rebento.
Clamemos por paz, para não ler em uma lápide de bronze !
Aqui jaz um belo e bom rapaz.
Ou que digam no seu velório !
Descanse em paz...
A nossa BANDEIRA pertence a TODOS os brasileiros.
TODOS.


