terça-feira, 3 de setembro de 2013
Kamilla Mestre
De nada adiantam
paredes
largas
numa
torre alta
e grades
de grosso ferro .
Esqueces que tenho alma
e que minha paz me acalma .
E mesmo nessa escuridão de fosso
posso voar , voar e
chegar ao mais
distante de mim .
E que só eu posso ir em
meus sonhos dantescos
e sem fim .
E mesmo no carcere posso
ser eu ,
eu sou , fui e serei fiel a
minh'alma .
Sou carcereira de meus sonhos
e posso
libertá-los além mar .
Talvez ir , sumir e quem sabe
tornar a voltar .
Adriana Noronha
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
A Tia Maria do Carmo nunca pariu , porém ajudou a criar todos os seus sobrinhos e sobrinhas , adorava todos eles , e sempre era respeitada , pra não dizer TEMIDA , se ela viesse dava faxina em todos nós , cabelos , unhas , botava ordem no quartel .
Botava ordem até no papai , que lhe nutria uma certa intolerância , mas em segredo e quando ela chegava lhe tratava a pão de ló , para sua segurança ...
Numa certa manhã , resolveu sair da Floresta e viajar , pois já não tinha o tio Té para lhe empatar , andava meio acabrunhada pelo sumiço do seu Santo Antônio .
Investigou por toda redondeza e nada , foi no Jardim America na casa da tia Bibisa e nada , em nossa casa no Benfica e nada , na casa do Tio Zé tambem nada ...
Injuriada foi passar uns dias com a Elizabete N Ribeiro lá em João Pessoa , salvo engano acho que ela era bancária , e trabalhava no Recife , para nós a sua chegada era sempre uma festa , pois sentava-se à maquina e bordava coisas divinas , cozinhava como ninguém
Era uma mão nada roda , não estava enferrujada .
Rezava seu terço diariamente , pedindo a volta de seu amado santo , presente de seu amado marido .
A Elizabete ficou muito satisfeita com tanto mimo , e saiu normalmente para trabalhar como fazia todos os dias .
Tchau Titia !
Deus te acompanhe minha filha .
E ela entediada , naquele apartamento , resolveu fazer o que muito gostava , uma faxina geral , ia organizar as coisas da bichinha , coitadinha , trabalhava tanto , tava sem tempo pra nada .
Balde , vassoura , rodo , pano de chão , cera , enceradeira , um cozido na panela , um bolo mole no forno e uma violeta na janela .
E a casa exalava um doce , cheiro de mel .
Agora sim !
só faltavam as roupas , um balde cheio , a água jorrou da torneira , pois a máquina ela não usava não .
Dobrou os joelhos pegou o balde com as mãos e virou no chão .
E como num encanto dos céus , seu santo voltou pra sua mão .
Extasiada de felicidade , o segurou junto a seu coração , lavou e passou as roupas ,
e voltou pra casa no primeiro avião .
E o seu Santo Antônio até hoje nos abençoa e nos dá proteção .
Pra voce Elizabete .
Botava ordem até no papai , que lhe nutria uma certa intolerância , mas em segredo e quando ela chegava lhe tratava a pão de ló , para sua segurança ...
Numa certa manhã , resolveu sair da Floresta e viajar , pois já não tinha o tio Té para lhe empatar , andava meio acabrunhada pelo sumiço do seu Santo Antônio .
Investigou por toda redondeza e nada , foi no Jardim America na casa da tia Bibisa e nada , em nossa casa no Benfica e nada , na casa do Tio Zé tambem nada ...
Injuriada foi passar uns dias com a Elizabete N Ribeiro lá em João Pessoa , salvo engano acho que ela era bancária , e trabalhava no Recife , para nós a sua chegada era sempre uma festa , pois sentava-se à maquina e bordava coisas divinas , cozinhava como ninguém
Era uma mão nada roda , não estava enferrujada .
Rezava seu terço diariamente , pedindo a volta de seu amado santo , presente de seu amado marido .
A Elizabete ficou muito satisfeita com tanto mimo , e saiu normalmente para trabalhar como fazia todos os dias .
Tchau Titia !
Deus te acompanhe minha filha .
E ela entediada , naquele apartamento , resolveu fazer o que muito gostava , uma faxina geral , ia organizar as coisas da bichinha , coitadinha , trabalhava tanto , tava sem tempo pra nada .
Balde , vassoura , rodo , pano de chão , cera , enceradeira , um cozido na panela , um bolo mole no forno e uma violeta na janela .
E a casa exalava um doce , cheiro de mel .
Agora sim !
só faltavam as roupas , um balde cheio , a água jorrou da torneira , pois a máquina ela não usava não .
Dobrou os joelhos pegou o balde com as mãos e virou no chão .
E como num encanto dos céus , seu santo voltou pra sua mão .
Extasiada de felicidade , o segurou junto a seu coração , lavou e passou as roupas ,
e voltou pra casa no primeiro avião .
E o seu Santo Antônio até hoje nos abençoa e nos dá proteção .
Pra voce Elizabete .
É o RUSSO
Quando criança vi uma briga tão banal .
Ele havia apenas lavado um pincel de sua aquarela , no tonel da oficina , pronto e o inferno surgiu , pega daqui , pega dali nervos acirrados , minha frágil irma meteu-se entre pai e filho , tornou-se ágil e forte seperando-os
e eu só ali , ali só .
Os outros irmãos onde estariam naquele momento ?
Ele chorou ...
E disse .
Eu me vou .
Vai não , a mamãe morre .
Mas ele se foi , Raquel chorou , chorou e eu só via e não entendia .
Cade a mamãe ?
Foi melhor assim , ela não ver ...
Mas ao chegar ela não pôde crer , que ele se fora .
Estavamos sem o nosso ARTISTA , alma de gênio , revolucionário , mãos de magico , sua arte virou fumaça .
E por longos dez anos mamãe chorou , procurou e nunca achou , quando ela sabia , onde , ele fugia , e assim eu crescia e via , sempre via .
Porém num belo dia outra mulher de aparência frágil foi a Copacabana passear , e como num encanto de uma mãe que sofria pior ou quase o mesmo tanto , por seu filho que foi jogado em um canto , ela o reconheceu.
Coisa de mãe , e sabendo como sofria sua maezinha , que era a mãe minha .
soube segurar seu coração , e agiu com a razão , ficou quieta e seguiu um belo rapaz , coisa de filme ação .
E sorrateiramente com uma astúcia sem par , descobriu o lugar .
E telegrama chegou ...
Mãezinha , vem achei o Reinaldo .
E ela voltou a viver , rejuvenesceu e de Itapemirim cruzou a malha viária .
Tia Agustinha a esperava com a mesma felicidade .
E perguntaram por um rapaz assim , assado louro e lindo .
Ah !
É o RUSSO !
E numa visão colossal viram o belo rapaz lavando as escadarias da Central do Brasil , onde gente subia e descia sem notá-lo .
E no meio daquela multidão , um grito .
Reinaldo !
E num choro à três
Ele pode retornar ao lar .
Isso em 1978 , minha Tia Gustinha , fez a Redenção do sofrimento de minha mãe e no ano seguinte minha tia teve sua Redenção com a Redenção de seu filho .
E a loba voltou a amamentar o seu Rômulo .
Adriana Noronha
Pra voce Cleopatra Albuquerque
Quando criança vi uma briga tão banal .
Ele havia apenas lavado um pincel de sua aquarela , no tonel da oficina , pronto e o inferno surgiu , pega daqui , pega dali nervos acirrados , minha frágil irma meteu-se entre pai e filho , tornou-se ágil e forte seperando-os
e eu só ali , ali só .
Os outros irmãos onde estariam naquele momento ?
Ele chorou ...
E disse .
Eu me vou .
Vai não , a mamãe morre .
Mas ele se foi , Raquel chorou , chorou e eu só via e não entendia .
Cade a mamãe ?
Foi melhor assim , ela não ver ...
Mas ao chegar ela não pôde crer , que ele se fora .
Estavamos sem o nosso ARTISTA , alma de gênio , revolucionário , mãos de magico , sua arte virou fumaça .
E por longos dez anos mamãe chorou , procurou e nunca achou , quando ela sabia , onde , ele fugia , e assim eu crescia e via , sempre via .
Porém num belo dia outra mulher de aparência frágil foi a Copacabana passear , e como num encanto de uma mãe que sofria pior ou quase o mesmo tanto , por seu filho que foi jogado em um canto , ela o reconheceu.
Coisa de mãe , e sabendo como sofria sua maezinha , que era a mãe minha .
soube segurar seu coração , e agiu com a razão , ficou quieta e seguiu um belo rapaz , coisa de filme ação .
E sorrateiramente com uma astúcia sem par , descobriu o lugar .
E telegrama chegou ...
Mãezinha , vem achei o Reinaldo .
E ela voltou a viver , rejuvenesceu e de Itapemirim cruzou a malha viária .
Tia Agustinha a esperava com a mesma felicidade .
E perguntaram por um rapaz assim , assado louro e lindo .
Ah !
É o RUSSO !
E numa visão colossal viram o belo rapaz lavando as escadarias da Central do Brasil , onde gente subia e descia sem notá-lo .
E no meio daquela multidão , um grito .
Reinaldo !
E num choro à três
Ele pode retornar ao lar .
Isso em 1978 , minha Tia Gustinha , fez a Redenção do sofrimento de minha mãe e no ano seguinte minha tia teve sua Redenção com a Redenção de seu filho .
E a loba voltou a amamentar o seu Rômulo .
Adriana Noronha
Pra voce Cleopatra Albuquerque
Tudo por nada
Eles vão crescer
Eles vão me esquecer ...
E o culpado de tudo isso
será voce .
Quem sabe um dia
em outra vida
voltemos a ser ...
Uma tia
ou uma pia .
Um padrinho
ou um passarinho ...
Os
dois
meninos
homens
vão
ser
E o tempo vai apagar
a tia , a madrinha ...
o padrinho e o tio
O brio será breu ,
não seremos mais
voces ,
nem eles
nem EU .
jogou-se fora tudo
por quase nada .
Adriana Noronha
Útero gigante
Toda noite te procuro em meus sonhos
são eles assim , cheios de cores , flores , e muitos odores .
Os pássaros possuem gigantescas asas , e num voou rasante
arrastam-me para o mais infinito mundo .
O nosso mundo , e de mais nimguém .
lá não há nada , mais existe de tudo , e o relógio de minha memória
por vezes pára .
Para minha'lma atormentada , só há um caminho .
Caminhar por entre meus sonhos , lá sei que posso ser como sempre
fui .
Ou será , como sempre serei ?
Uma sereia sem mar , o numero um que quer ser par , o sal sem o mar
o marmelo que sonha ser martelo .
O feio que pensa que é belo .
Meu Mundo só existe aqui , alí , acolá .
Deus me acuda , me sacuda , me faça respirar , acordar para depois quem sabe , chorar .
Mas não um choro mórbido .
Mas um rio ...
Um rio de lágrimas , que te tragam a mim , com ondas carmim , desse jeito assim .
Que te envolvam em outro sonho
e num útero gigante , te ponham a salvo , alvo ,
lindo e calmo .
Salva-me daqui ou quem sabe ,
salva-me Dali .
Adriana Noronha
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Gosta de ouvir causos bela prima ?
Então vamos a ele .
Numa viagem ao Ceará eu , Regina e Ricardo desviamos a rota ,
e passamos no triunfo Terra de nossos avós , tínhamos em punho uma super câmera profissional , e para matar um pouco a saudade , minha irmã adentrou a porteira do Bonito , casa do vovó Raimundo Deodato Noronha e vovó Justa Amélia Noronha , ela chorava rios , o Ricardo só sorria e assistia , pedimos para entrar na casa ,e ela ajoelhou-se diante do altar dos santos da vovó , e disse .
O nicho da vovó , eu quero levar ! Sempre aos prantos .
A casa era de outrem ,não era mais a casa de nossos avós , eu conseguia ver o quanto eles foram felizes ali .
Comendo queijos enormes ,bebendo caldo de cana , e até uma cachacinha o veio fazia e ainda tinha a Mimosa ,uma vaca que ao som do canto da vovó vinha a galope .
Tomamos banho no açude nus , eu entrei num mundo cheio de aridez e felicidade que outrora fora deles .
Até o fogão a lenha ainda estava lá .
Pisamos aquele chão tão peculiar , e vimos o tempo voltar .
fomos ao lugarejo e com a câmera no ombro meu irmão fingiu sermos repórteres da Globo e logo fomos sendo rodeados pelas pessoas , camionete potente , cameraman ,mulher bonita ,pronto acreditaram .
Então perguntamos pelo Senhor Raimundo Deodato Noronha , Justa Amelia Noronha e uma comadre da minha mãe de nome Netinha , foi respondendo a todas as perguntas .
Então num estalo ela disse .
Tu é filha da Maria Justa ,irmã da Bibiza ,Maria do Carmo , Gustinha ,Eunice , José , Batista , Nonato .?
E o choro durou mais trinta minutos ,e foi aquela alegria . e assim vi meus irmãos mais velhos entrando num túnel do qual eu não estava , mas mesmo assim até hoje busco sempre saber onde estão minhas outras raízes. Então Cleopatra Albuquerque, Remo Noronha venham ouvir mais causos da NOSSA FAMÍLIA .
Então vamos a ele .
Numa viagem ao Ceará eu , Regina e Ricardo desviamos a rota ,
e passamos no triunfo Terra de nossos avós , tínhamos em punho uma super câmera profissional , e para matar um pouco a saudade , minha irmã adentrou a porteira do Bonito , casa do vovó Raimundo Deodato Noronha e vovó Justa Amélia Noronha , ela chorava rios , o Ricardo só sorria e assistia , pedimos para entrar na casa ,e ela ajoelhou-se diante do altar dos santos da vovó , e disse .
O nicho da vovó , eu quero levar ! Sempre aos prantos .
A casa era de outrem ,não era mais a casa de nossos avós , eu conseguia ver o quanto eles foram felizes ali .
Comendo queijos enormes ,bebendo caldo de cana , e até uma cachacinha o veio fazia e ainda tinha a Mimosa ,uma vaca que ao som do canto da vovó vinha a galope .
Tomamos banho no açude nus , eu entrei num mundo cheio de aridez e felicidade que outrora fora deles .
Até o fogão a lenha ainda estava lá .
Pisamos aquele chão tão peculiar , e vimos o tempo voltar .
fomos ao lugarejo e com a câmera no ombro meu irmão fingiu sermos repórteres da Globo e logo fomos sendo rodeados pelas pessoas , camionete potente , cameraman ,mulher bonita ,pronto acreditaram .
Então perguntamos pelo Senhor Raimundo Deodato Noronha , Justa Amelia Noronha e uma comadre da minha mãe de nome Netinha , foi respondendo a todas as perguntas .
Então num estalo ela disse .
Tu é filha da Maria Justa ,irmã da Bibiza ,Maria do Carmo , Gustinha ,Eunice , José , Batista , Nonato .?
E o choro durou mais trinta minutos ,e foi aquela alegria . e assim vi meus irmãos mais velhos entrando num túnel do qual eu não estava , mas mesmo assim até hoje busco sempre saber onde estão minhas outras raízes. Então Cleopatra Albuquerque, Remo Noronha venham ouvir mais causos da NOSSA FAMÍLIA .
O comboio das almas
Em 1974 Seu Raimundo Deodato agonizava ao redor das
filhas e um rebanho de netos e netas , os filhos da Maria justa eram os mais Jovens e na casa da Tia Maria do Carmo o choro tava feito , enquanto os adultos se revezavam cuidando do vovô ,nós os pequenos nos espalhávamos pela floresta (nome do bairro da titia ) .
Quando íamos para lá o papai dizia-nos .
Cuidado com a bruxa da floresta ! No caso a titia !
Era muita gente numa casa pequena , mas aconchegante , e as comadres vinham aos montes . Meus irmãos mais velhos eram apaixonados por ele
Mas eu o achava muito rabugento , não sei se era por que eu era um cão de danada .
E de repente foi aquele alvoroço , o choro foi estridente , e o som do terço começou a ecoar pela casa inteira , nós pirralhada ficamos imoveis só com um grito da mamãe .
E o corre corre virou lamento , e o terço não cessava , e em coro nos respondíamos " rogai por nós que recorremos a vós na hora da nossa morte amém " e assim a longa noite se foi , e as velas espalhavam o cheiro da tristeza .
E o dia raiou e a pior hora começou , colocar vovô no carro que o levaria de volta a Redenção .
e Assim formou-se o Comboio das Almas , como sarcasticamente profetizou o papai , e foram sessenta e cinco km intermináveis , numa procissão sobre rodas .
E ao chegarmos lá nós crianças sumimos , e fomos desbravar Redenção que era linda , na hora do enterro quem mais chorava era minha prima Elizabete , e ao colocarem o caixão na cova foram junto a mamãe e a Elizabete descendo cova abaixo e o papai mais que ligeiro pegou a pá e disse :
Aproveita enterra os três e economizamos viagem !
E assim mais um causo da familia Noronha termina ou começa ?
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