domingo, 24 de maio de 2015
Estação da escuridão
A estação não é das flores .
A estação é dos egos .
A estação é dos indivíduos cegos .
É a estação do pouco caso , da ausência, da coletiva demência ...
A estação dos que não leem dos que sequer escrevem uma linha .
É a estação daqueles que apenas passam ,
não vão,
não voltam
só passam .
A estação não é das flores .
A estação é a da escuridão , de nuvens densas e nebulosas , de gente que
tem medo de ser gente
tem medo de sorrir
tem medo de olhar
tem medo de amar .
E a estação vindoura será de catástrofe ...
O Sol se apagará
O Mundo sumirá
A Lua não mais brilhará .
E os outros viventes para onde irão ?
Aqueles que teimam em não sorrir , não olhar ,não amar ...
Sei lá !
Vão pra qualquer inóspito lugar !
E nós que não temos medo de nada ,que sorrimos , que olhamos ,
que amamos , vamos para sempre estar na Estação das Flores .
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Castigo
Pra que eu cresci ?
Bem que poderia estar pequenina e quietinha em meu canto .
Perto dela que me dava três surras por dia , eu devia ser mesmo uma peste de menina , com certeza eu era .
Era tão bom ser eu mesma ser criança , mas um dia cresci e daí adoeci . Para sempre ficou tão perto e tão imensamente longe .
Cadê meu irmão primogênito ? E os outros para onde foram ?
E as meninas da casa ? Quem as levou daqui ?
Naquela cova de cimento armado , todos choravam , aliviados ?
Seu império acabou, cessou , agora estamos sós e espalhados pelo Mundo .
Onde estamos nós sem ela ?
O quintal dos sonhos escureceu ,emudeceram aquelas múltiplas vozes , hoje só vozes vorazes .
Não sei mais rezar , faço ora para o tempo passar .
Meus olhos não acreditam mais naquilo que vejo,ai pelejo por ai ...
Meus joelhos já não suportam o peso de minhas saudades , ai finjo felicidades mil ,e não é nem abril .
E o tempo vem ,o tempo vai e o tempo insiste em voltar e sempre o meu coração esta a se enganar ou sempre esta e me esganar .
Lá longe de mim ,encontro a paz , uma paz que aqui jaz e desfaz os dias que ficaram lá atras ...
Ah essa vida vivida sem a avidez de viver .
Por hora não quero ir , nem devo partir , não devo me dividir , e nem me incluir , mas devo sair , fugir dali ou apenas fingir .
Se a morte chegar vai desistir de me levar .
Afinal até ela pode chorar , perder seu ofício .
Acho difícil quase impossível ela me atormentar , vai me deixar estar .
Pois não existe castigo pior que viver aqui dentro de mim .
Bem que poderia estar pequenina e quietinha em meu canto .
Perto dela que me dava três surras por dia , eu devia ser mesmo uma peste de menina , com certeza eu era .
Era tão bom ser eu mesma ser criança , mas um dia cresci e daí adoeci . Para sempre ficou tão perto e tão imensamente longe .
Cadê meu irmão primogênito ? E os outros para onde foram ?
E as meninas da casa ? Quem as levou daqui ?
Naquela cova de cimento armado , todos choravam , aliviados ?
Seu império acabou, cessou , agora estamos sós e espalhados pelo Mundo .
Onde estamos nós sem ela ?
O quintal dos sonhos escureceu ,emudeceram aquelas múltiplas vozes , hoje só vozes vorazes .
Não sei mais rezar , faço ora para o tempo passar .
Meus olhos não acreditam mais naquilo que vejo,ai pelejo por ai ...
Meus joelhos já não suportam o peso de minhas saudades , ai finjo felicidades mil ,e não é nem abril .
E o tempo vem ,o tempo vai e o tempo insiste em voltar e sempre o meu coração esta a se enganar ou sempre esta e me esganar .
Lá longe de mim ,encontro a paz , uma paz que aqui jaz e desfaz os dias que ficaram lá atras ...
Ah essa vida vivida sem a avidez de viver .
Por hora não quero ir , nem devo partir , não devo me dividir , e nem me incluir , mas devo sair , fugir dali ou apenas fingir .
Se a morte chegar vai desistir de me levar .
Afinal até ela pode chorar , perder seu ofício .
Acho difícil quase impossível ela me atormentar , vai me deixar estar .
Pois não existe castigo pior que viver aqui dentro de mim .
sábado, 14 de março de 2015
O que sonhas ?
Na vastidão desse mundo árido
sem cor ,
sem chuva .
Apenas o Sol enfeita essa Terra tua .
Vai , vai pra longe daqui .
Nada te dou , nada te oferecem .
Não tenho nada a te dar .
E eles também nada tem a te oferecer .
Vai que o Mundo é teu .
Leva tuas cores .
Esquece as dores que te causei ...
Vai , lá longe o Mundo é vasto .
Tu serás visto ...
Longe serás também amado ...
A arte faz parte , parte de tua vida .
Mesmo que partas o meu coração
vai e põe tuas cores no Mundo ...
Eu estarei onde voce estiver , voarei tambem na minha imensa imaginação ,
Vai , vai pra longe daqui .
Nada te dou , nada te oferecem .
Não tenho nada a te dar .
E eles também nada tem a te oferecer .
Vai que o Mundo é teu .
Leva tuas cores .
Esquece as dores que te causei ...
Vai , lá longe o Mundo é vasto .
Tu serás visto ...
Longe serás também amado ...
A arte faz parte , parte de tua vida .
Mesmo que partas o meu coração
vai e põe tuas cores no Mundo ...
Eu estarei onde voce estiver , voarei tambem na minha imensa imaginação ,
vou estar onde voce estiver ...
Pois me levarás dentro do teu largo coração .
Pois me levarás dentro do teu largo coração .
quarta-feira, 4 de março de 2015
Serei a do Mar
Meu é céu tão impuro ...
E essas negras ondas ?
Que me arrastam para o infinito de minh'alma oca ,
não me sobra lugar nesse Mundo obscuro .
E essa nudez desse corpo casto ,
desse sepulcro gasto ?
Sou nada
sou tudo que não há .
Ah , em meus sonhos ...
Uma Lua que não é minha , nem tua ,
me perpetua na rua , na minha
existência nua ...
Arrasta-me dali .
Sou um oceano de coisa nenhuma
Mar turvo ...
Nas curvas de minha lânguida figura feminina , um ser sem nexo , alheio
ao sexo ...
Cheio de pudores impuros ...
Me desenhas ?
Ou me desdenhas ?
Me ordenha .
Ou me ordena ?
O meu tempo não vai , não foi
não flui .
Mas meu intimo fly .
E vai longe , transcende , não ascende , gira em volta de mim
gira e vira .
E virá o tempo em que eu serei , eu ,
serei Deus ...
Serei a Sereia
serei a do mar .
Do mar serei a .
Serei
Iemanjá .
E assim singrarei os mares de todos os santo e matarei
a saudade do meu rebento .
Enquanto isso vou vivendo
o meu lamento ,
de saudades ...
Em minhas noites obscuras vou
vivendo .
Solta ao vento ...
E essas negras ondas ?
Que me arrastam para o infinito de minh'alma oca ,
não me sobra lugar nesse Mundo obscuro .
E essa nudez desse corpo casto ,
desse sepulcro gasto ?
Sou nada
sou tudo que não há .
Ah , em meus sonhos ...
Uma Lua que não é minha , nem tua ,
me perpetua na rua , na minha
existência nua ...
Arrasta-me dali .
Sou um oceano de coisa nenhuma
Mar turvo ...
Nas curvas de minha lânguida figura feminina , um ser sem nexo , alheio
ao sexo ...
Cheio de pudores impuros ...
Me desenhas ?
Ou me desdenhas ?
Me ordenha .
Ou me ordena ?
O meu tempo não vai , não foi
não flui .
Mas meu intimo fly .
E vai longe , transcende , não ascende , gira em volta de mim
gira e vira .
E virá o tempo em que eu serei , eu ,
serei Deus ...
Serei a Sereia
serei a do mar .
Do mar serei a .
Serei
Iemanjá .
E assim singrarei os mares de todos os santo e matarei
a saudade do meu rebento .
Enquanto isso vou vivendo
o meu lamento ,
de saudades ...
Em minhas noites obscuras vou
vivendo .
Solta ao vento ...
Adriana Noronha
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Não chorei
Para ir pra casa eu rodava alguns quilômetros , e depois pegava
uma reta chamada 116 , e ai era só alegria , as paisagens eram
tão familiares , atravessava o São Francisco e pedia suas bençãos,
Bahia , Pernambuco ,Paraíba dai o ar ficava mais limpo ,mais cheio de
vida até que eu lia BEM VINDO AO CEARÁ .
Meu coração se abria à vida , se abria ao mundo , ao meu mundo e assim
foi por três décadas , tempo em que fiquei indo e vindo ao meu torrão natal .
E agora como será voltar ?
O caminho tornou-se turvo , uma reta cheia de curvas traiçoeiras , pirambeiras , chuva ácida , buracos , placas caídas , tempo nublado , trânsito perigoso ,blitz ,
e uma placa opaca apagada .
Mil e quarenta talvez um pouco mais me separavam daquele lugar mágico minha
morada de outrora , cheia de gente , um pai , uma matriarca , muitas frutas , muita fartura ,cães , gatos ,crianças correndo a panela chiando e um perfume de terra molhada .
A casa que vovô morou , papai herdou ,e depois pra nós ficou , cento e sessenta metros de pura alegria , éramos os donos do mundo , as crianças mais alegres ,
nunca vivemos como passarinhos e nem tivemos gaiolas , nossos corações corriam livres ,soltos ...
Sempre ao chegar ,ela ali estava a nos esperar ao portão , e ao nos ver abria um sorriso largo e farto , a comida na mesa o suco dos nossos cajus , e nada a deixava mais feliz , que ver sua prole ali ao redor da antiga mesa ...
Não sei quando retornarei , pois sei que hei de não te ver ao portão , no fogão ,
embaixo da mangueira ...
Onde vou te procurar ?
Ainda não chorei !
Não há lágrimas , não há nem um pingo de choro ...
Aprendi a não chorar ?
Eu vi meus irmãos e irmãs chorando .
Eu não ,eu não chorei , ainda não chorei .
Onde escondi minha tristeza ?
Quando vou chorar ?
É tão fácil imaginar que ela esta lá , que tudo esta do mesmo jeito , a casa cheia de gente ,um pai , ela , muitas frutas , muita fartura ,,cães ,gatos ,crianças correndo a panela chiando e o perfume de terra molhada ...
Minha aparente alegria esconde minha maior tristeza , minha maior tristeza é não ter chorado , como doravante sei que não chorarei ...
Deus foi misericordioso com ela e comigo , ela se foi eu fiquei , o tempo acordou e a levou ,eu agora sou livre , posso voar ,posso flanar em meus pensamentos só
posso ir lá ...
Talvez quem sabe um dia ,lá chegando eu reaprenda a chorar ...
A distancia terrena acabou , mas a proximidade das almas tornou-se real ,eu
te acho em meus sonhos , e não me assombro .
O que em meus sonhos posso ver , em meu coração sentir , a morte uniu dois mundos , juntou nossos caminhos ...
Dormir agora é te sentir , te ouvir , mas nunca te tocar !
Talvez um dia eu chore ,e ai sim estarei realmente livre dessa dor que ora se esconde no meu coração .
uma reta chamada 116 , e ai era só alegria , as paisagens eram
tão familiares , atravessava o São Francisco e pedia suas bençãos,
Bahia , Pernambuco ,Paraíba dai o ar ficava mais limpo ,mais cheio de
vida até que eu lia BEM VINDO AO CEARÁ .
Meu coração se abria à vida , se abria ao mundo , ao meu mundo e assim
foi por três décadas , tempo em que fiquei indo e vindo ao meu torrão natal .
E agora como será voltar ?
O caminho tornou-se turvo , uma reta cheia de curvas traiçoeiras , pirambeiras , chuva ácida , buracos , placas caídas , tempo nublado , trânsito perigoso ,blitz ,
e uma placa opaca apagada .
Mil e quarenta talvez um pouco mais me separavam daquele lugar mágico minha
morada de outrora , cheia de gente , um pai , uma matriarca , muitas frutas , muita fartura ,cães , gatos ,crianças correndo a panela chiando e um perfume de terra molhada .
A casa que vovô morou , papai herdou ,e depois pra nós ficou , cento e sessenta metros de pura alegria , éramos os donos do mundo , as crianças mais alegres ,
nunca vivemos como passarinhos e nem tivemos gaiolas , nossos corações corriam livres ,soltos ...
Sempre ao chegar ,ela ali estava a nos esperar ao portão , e ao nos ver abria um sorriso largo e farto , a comida na mesa o suco dos nossos cajus , e nada a deixava mais feliz , que ver sua prole ali ao redor da antiga mesa ...
Não sei quando retornarei , pois sei que hei de não te ver ao portão , no fogão ,
embaixo da mangueira ...
Onde vou te procurar ?
Ainda não chorei !
Não há lágrimas , não há nem um pingo de choro ...
Aprendi a não chorar ?
Eu vi meus irmãos e irmãs chorando .
Eu não ,eu não chorei , ainda não chorei .
Onde escondi minha tristeza ?
Quando vou chorar ?
É tão fácil imaginar que ela esta lá , que tudo esta do mesmo jeito , a casa cheia de gente ,um pai , ela , muitas frutas , muita fartura ,,cães ,gatos ,crianças correndo a panela chiando e o perfume de terra molhada ...
Minha aparente alegria esconde minha maior tristeza , minha maior tristeza é não ter chorado , como doravante sei que não chorarei ...
Deus foi misericordioso com ela e comigo , ela se foi eu fiquei , o tempo acordou e a levou ,eu agora sou livre , posso voar ,posso flanar em meus pensamentos só
posso ir lá ...
Talvez quem sabe um dia ,lá chegando eu reaprenda a chorar ...
A distancia terrena acabou , mas a proximidade das almas tornou-se real ,eu
te acho em meus sonhos , e não me assombro .
O que em meus sonhos posso ver , em meu coração sentir , a morte uniu dois mundos , juntou nossos caminhos ...
Dormir agora é te sentir , te ouvir , mas nunca te tocar !
Talvez um dia eu chore ,e ai sim estarei realmente livre dessa dor que ora se esconde no meu coração .
Adriana Noronha em Benfica, Fortaleza, Ceará
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Os ventos fortes
o céu sem nuvens
uma abóboda azul ...
Um mar , um mar de preces
um rosário na mão ,
e uma oração no coração
não chove , a barra não vem
o tempo passa , passa e passa
o tempo vai
e ela não chega .
E assim ele aboia o gado faminto
seu canto é um lamento
a morte levou seu jumento ...
Seu gibão de couro , endurece suas carnes
seu corpo arde
arde no calor do sertão .
E o vaqueiro insiste em viver
espera um dia vencer
e espera um dia chover .
E como um Cristo na sua cruz
leva sua vida num mundo
cheio de luz ...
Luz que em seus sonhos será engolida
pela melhor coisa de sua vida
a água que vem dos céus ,
enquanto espera ele enxuga as águas
que descem de seu suor
suor de homem do sertão !
o céu sem nuvens
uma abóboda azul ...
Um mar , um mar de preces
um rosário na mão ,
e uma oração no coração
não chove , a barra não vem
o tempo passa , passa e passa
o tempo vai
e ela não chega .
E assim ele aboia o gado faminto
seu canto é um lamento
a morte levou seu jumento ...
Seu gibão de couro , endurece suas carnes
seu corpo arde
arde no calor do sertão .
E o vaqueiro insiste em viver
espera um dia vencer
e espera um dia chover .
E como um Cristo na sua cruz
leva sua vida num mundo
cheio de luz ...
Luz que em seus sonhos será engolida
pela melhor coisa de sua vida
a água que vem dos céus ,
enquanto espera ele enxuga as águas
que descem de seu suor
suor de homem do sertão !
Adriana Noronha
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