Ah ! Essa fase chamada adolescência,tudo podemos fazer, mas não devemos fazer tudo, pelo menos nos meus tempos,nos tempos bons, antes de ser banida para o sem fim.
O Colégio era de freiras, as meninas eram talvez de Saturno, estavam sempre longe dos números primos, mitocôndrias, Era Vargas, Império Romano,Orações coordenadas assindéticas, to be verbs, tabela periódicas dos elementos, a Terra ainda era plana, educação física, educação moral e cívica e outras coisas que eram deglutidas nas aulas de música, artesanato, culinária...
O Mundo era mais bonito ,mais calmo, o mundo era mais mundo, nossas fardas impecáveis, o sapato de boneca em alvas meias brancas,o vuco vuco, o entre e sai,intervalo,um cigarro secreto, só pra transgredir as Leis... Tragar era horrível.
Não emplacou, não gostei de fumar, virei vigia, e assim merendava com fartura...
Então o Fagner ia fazer um Show no PV, a megera não deixou. De jeito nenhum.
Os irmãos mais velhos poderiam custear, mas corriam risco de pena de morte,nada feito.
Minhas amigas da classe, rebelaram-se.
Nós vamos !
Vamos ?
Aham...
E a gaita, grana, dinheiro ,bufunfa, money,dindim ?
Então combinamos,e no dia,dormimos cedo.
Já ! Admiram-se.
Saímos na surdina da noite, cada uma com sua merenda,drops,pirulitos,jujubas, amendoim, Coca Cola, calça LEE, blusa de renda, All Star, e nenhum dinheiro no bolso,o PV
ficava a dois quarteirões de minha casa, eu morava na nata do bairro mais boêmio o Benfica, e nós fomos ao Show.
E lá chegando nos sentamos na calçada, com as costas no muro da Escola Técnica Federal, tudo lotado, gente chegando, gente,gente muita gente.
Então ouvimos o primeiro acorde de Noturno.
Ai meu Deus !
Talvez fôssemos as fãs mais felizes,daquele Show,lá na década de 80, "são tantas ilusões perdidas na lembrança" .
Nove noviças, ali sentadas no chão, cheias de vida,sem maldade no coração, somente a ouvir as canções daquele que tinha um coração alado, que nem os nossos corações.
Os refletores não nos iluminou,mas tínhamos um subterfúgio mais poderoso, a Lua que brilhava acima de nossas cabeças ocas, mas cheias de sonhos.
" Hoje só acredito no pulsar de minhas veias "
O melhor Show que já assisti, aliás o melhor Show que já ouvi.
domingo, 7 de janeiro de 2018
sábado, 6 de janeiro de 2018
As mulheres mais prendadas que conheci, eram louras ,ruivas, morenas, filhas da Justa Amélia, que de Amélia não tinha nada...
Ela dominava um dragão alvo de olhos azuis, e assim suas fêmeas seguiram seu exemplo.
Cinco filhas, Maria Eunice a mais exuberante,mas não pariu uma menina, suas prendas morreram com ela, Maria Luíza a de doce coração, pariu duas meninas, que herdaram seus dotes , Maria do Carmo morena bela, mas nasceu seca,não pariu mas ajudou e também criou todos os sobrinhos e sobrinhas, Maria Justa a ovelha negra, pariu cinco todas prendadíssimas, dentro as cinco também uma ovelhinha negra,Maria Augusta,branda e mansa, pariu cinco,e dentre as cinco uma deusa, todas prendadas...
Mulheres Noronha, sabem lavar, passar, cozinhar,costurar sabem bordar...
E elas veem tecendo sua trilha,
elas amam,
dominam,
domam,
encantam
brigam,
subjugam
as vezes são audaciosas,
ajeitam daqui, dali,
são orgulhosas,
inteligentes,
algumas sábias,
outras muito cultas
amam,
são amadas,
também tem rancores, pois nem tudo são flores...
Mas todas são perfeitas,
aos olhos de Deus,
aos nossos olhos são tudo isso,
e mais um pouco.
mais um pouco de amor
pra todas nós.
Ela dominava um dragão alvo de olhos azuis, e assim suas fêmeas seguiram seu exemplo.
Cinco filhas, Maria Eunice a mais exuberante,mas não pariu uma menina, suas prendas morreram com ela, Maria Luíza a de doce coração, pariu duas meninas, que herdaram seus dotes , Maria do Carmo morena bela, mas nasceu seca,não pariu mas ajudou e também criou todos os sobrinhos e sobrinhas, Maria Justa a ovelha negra, pariu cinco todas prendadíssimas, dentro as cinco também uma ovelhinha negra,Maria Augusta,branda e mansa, pariu cinco,e dentre as cinco uma deusa, todas prendadas...
Mulheres Noronha, sabem lavar, passar, cozinhar,costurar sabem bordar...
E elas veem tecendo sua trilha,
elas amam,
dominam,
domam,
encantam
brigam,
subjugam
as vezes são audaciosas,
ajeitam daqui, dali,
são orgulhosas,
inteligentes,
algumas sábias,
outras muito cultas
amam,
são amadas,
também tem rancores, pois nem tudo são flores...
Mas todas são perfeitas,
aos olhos de Deus,
aos nossos olhos são tudo isso,
e mais um pouco.
mais um pouco de amor
pra todas nós.
" É uma pena quando se tem interferência de alguém.
De um lado o amor.
Do outro a paixão.
No meio a indecisão.
Na cabeça a confusão.
Paixão que vira amor, amor que vira passado,
passado que foi presente,
presente que virou passado.
Sem saber sair dessa, permaneço aqui,
sem saber sair também.
Não tenho conclusão,
porque a conclusão ainda não foi concluída.
E esse tempo que não passa,
não passa porque o fiz parar,
mas ele corre tão depressa
e eu ando muito devagar.
A vida que imita a arte,
a arte que imita a vida.
O céu azul, tão azul quanto o mar,
o mar tão infinito,
tão infinito quanto o céu.
Você prefere
o mar
ou prefere
o céu ? "
Raquel Noronha
De um lado o amor.
Do outro a paixão.
No meio a indecisão.
Na cabeça a confusão.
Paixão que vira amor, amor que vira passado,
passado que foi presente,
presente que virou passado.
Sem saber sair dessa, permaneço aqui,
sem saber sair também.
Não tenho conclusão,
porque a conclusão ainda não foi concluída.
E esse tempo que não passa,
não passa porque o fiz parar,
mas ele corre tão depressa
e eu ando muito devagar.
A vida que imita a arte,
a arte que imita a vida.
O céu azul, tão azul quanto o mar,
o mar tão infinito,
tão infinito quanto o céu.
Você prefere
o mar
ou prefere
o céu ? "
Raquel Noronha
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Mãe
No dia em que for uma mãe
Quero ser sempre filha
Quero ser branda
Quero reaprender
No dia que for uma mãe
Não serei mais demente
Serei criativa
Alegre,por fora,mas alegre
No dia que eu me for
Por perto ficarei
Não chorarei
Talvez me alegre
No dia que eu não me for
Que meus filhos saibam que os amei
Que mal não quis,talvez tenha feito
Tentei ser só uma mãe
Mas não tenho coração
Uma escrota que não escuta
Não era gente ,só quis ser eu
Esqueci de ser apenas mãe .
Quero ser sempre filha
Quero ser branda
Quero reaprender
No dia que for uma mãe
Não serei mais demente
Serei criativa
Alegre,por fora,mas alegre
No dia que eu me for
Por perto ficarei
Não chorarei
Talvez me alegre
No dia que eu não me for
Que meus filhos saibam que os amei
Que mal não quis,talvez tenha feito
Tentei ser só uma mãe
Mas não tenho coração
Uma escrota que não escuta
Não era gente ,só quis ser eu
Esqueci de ser apenas mãe .
Adriana Noronha
A todas que não são mães,com eu...
terça-feira, 14 de novembro de 2017
Castanha de caju
Lá no Benfica,
naquele pedaço de mundo encantado,
o dia amanhecia quente
e a meninada saia da rede
sorrateiramente .
Corria ao quintal e lá nos esperava,
o frondoso cajueiro,
pintado nas cores da felicidade .
O Locinha subia e balançava os galhos e derrubava os cajus ,
sem querer , mas querendo
em cima de nossas cabeças ...
E nos fartávamos de caju até inchar a barriga .
As castanhas eram nosso maior legado,
e na chapa de ferro,
viravam brasas gigantes,
incandescentes em nossa fogueira pueril,
mexia pra lá ,
mexia pra cá ,
o fogo pulava,
e a gente pulava na mesma cadência,
para se esquivar do óleo quente.
Saltita pra não se queimar .
Gritava o Locinha...
E dançávamos ao redor do fogo,
antes da degustação.
Castanha assada, areia nela ...
E assim nossa vida fluía,
e a criançada ficava,
toda emborralhada,
por causa da castanha queimada .
Mãos pretas ,
caras pretas ,
dentes pretos
e nossa vida muito ,
muito colorida .
Lá no Benfica,
naquele pedaço,
de mundo,
encantado...
naquele pedaço de mundo encantado,
o dia amanhecia quente
e a meninada saia da rede
sorrateiramente .
Corria ao quintal e lá nos esperava,
o frondoso cajueiro,
pintado nas cores da felicidade .
O Locinha subia e balançava os galhos e derrubava os cajus ,
sem querer , mas querendo
em cima de nossas cabeças ...
E nos fartávamos de caju até inchar a barriga .
As castanhas eram nosso maior legado,
e na chapa de ferro,
viravam brasas gigantes,
incandescentes em nossa fogueira pueril,
mexia pra lá ,
mexia pra cá ,
o fogo pulava,
e a gente pulava na mesma cadência,
para se esquivar do óleo quente.
Saltita pra não se queimar .
Gritava o Locinha...
E dançávamos ao redor do fogo,
antes da degustação.
Castanha assada, areia nela ...
E assim nossa vida fluía,
e a criançada ficava,
toda emborralhada,
por causa da castanha queimada .
Mãos pretas ,
caras pretas ,
dentes pretos
e nossa vida muito ,
muito colorida .
Lá no Benfica,
naquele pedaço,
de mundo,
encantado...
Adriana Noronha
terça-feira, 7 de novembro de 2017
"Tudo outra vez"
Eu vi a minha casa no chão, a casa em que cresci , cheguei tarde e não deu tempo de pegar um pedaço sequer do reboco ou um caco de telha ela ruiu,não achei nada mais não.
Onde ficaram as panelas ,
as cadeiras ,o baú ,
os livros e a nossa Enciclopédia,
e as minhas bonecas de pano ,
a lata da farinha, do feijão ,
o fogão,
e a mesa gigante onde a mamãe nos serviu o leite e o pão ,
o pé de jambo ,
o cajueiro,
os pés de coqueiros que sustentavam as roupas no nosso imenso varal ?
Meu Deus, cadê eu e meus irmãos !
Senti um calafrio e calei , mas queria mesmo era gritar,berrar.
Então só fiz chorar, e minha ausência lamentar.
Um algoz chamado progresso engoliu vorazmente um micro mundo em beneficio do mundo macro .
Mas posso reconstruir tudo outra vez ,
a algaravia e as arengas da meninada,
o cheiro delicioso que vinha da cozinha,
os latidos misturados aos miados ,
ouvir Can't take my eyes off you na radiola,
ver o florescer das papoulas,
subir e arrancar as frutas das arvores ,
ouvir o som do sino da igreja .
As brincadeiras de roda ,
as estórias de terror contadas no escuro do quintal ,
a vela acesa dentro da lata ,
o balanço no cajueiro indo e vindo ,
o coral do ronco de todos a dormir ,
o terço gigante pendurado na parede ,
o presépio, a arvore enfeitada com algodão.
E o melhor de tudo andar pela nossa casa de paredes alvas e cheias de desenhos infantis pueris ,
,roubar as garrafas de cajuína que curtiam no telhado,
entrar pelas portas sem ferrolhos pois nada ficava trancado.
Eu fecho os olhos e colho tudo de bom que lá existiu ,
felicidade assim nunca se viu ,
minha vida não se perdeu e tudo que vivi foi o que valeu ,
eu começaria tudo outra vez ...
Onde ficaram as panelas ,
as cadeiras ,o baú ,
os livros e a nossa Enciclopédia,
e as minhas bonecas de pano ,
a lata da farinha, do feijão ,
o fogão,
e a mesa gigante onde a mamãe nos serviu o leite e o pão ,
o pé de jambo ,
o cajueiro,
os pés de coqueiros que sustentavam as roupas no nosso imenso varal ?
Meu Deus, cadê eu e meus irmãos !
Senti um calafrio e calei , mas queria mesmo era gritar,berrar.
Então só fiz chorar, e minha ausência lamentar.
Um algoz chamado progresso engoliu vorazmente um micro mundo em beneficio do mundo macro .
Mas posso reconstruir tudo outra vez ,
a algaravia e as arengas da meninada,
o cheiro delicioso que vinha da cozinha,
os latidos misturados aos miados ,
ouvir Can't take my eyes off you na radiola,
ver o florescer das papoulas,
subir e arrancar as frutas das arvores ,
ouvir o som do sino da igreja .
As brincadeiras de roda ,
as estórias de terror contadas no escuro do quintal ,
a vela acesa dentro da lata ,
o balanço no cajueiro indo e vindo ,
o coral do ronco de todos a dormir ,
o terço gigante pendurado na parede ,
o presépio, a arvore enfeitada com algodão.
E o melhor de tudo andar pela nossa casa de paredes alvas e cheias de desenhos infantis pueris ,
,roubar as garrafas de cajuína que curtiam no telhado,
entrar pelas portas sem ferrolhos pois nada ficava trancado.
Eu fecho os olhos e colho tudo de bom que lá existiu ,
felicidade assim nunca se viu ,
minha vida não se perdeu e tudo que vivi foi o que valeu ,
eu começaria tudo outra vez ...
Adriana Noronha .
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Vestida de Maria
Foi uma vez num sonho que:
Certo dia me vesti de Maria.
Naquele tão famoso vestido de mescla azul, de debrun preto e botões forrados, pela primogênita confeccionado...
Sorrateiramente o roubei, do fundo daquele guarda roupas antigo,do antigo guarda roupas.
Me despi de mim.
E quis ser aquela, a mãe megera.
Senti no ar seu perfume de talco, misturado ao sabonete Viol,aquele da caixinha de madeira!
Procurei ser como ela, de toda maneira.
E saí a caminhar em passos pesados pelo quintal encantado, passos pesados da vida dura, impura,imatura.
O céu escureceu, a Lua não apareceu, o som emudeceu, o tempo cessou, a luz apagou, meu coração chorou ...
A sua vara me apoiou, consegui chegar onde nunca pude estar,
lá no meu antigo lar.
lar longe de mim,
lar pra que te quero .
Não ouvi sua voz,
descobri que agora seu corpo agora jaz.
E de novo acordei no mundo dos mortos vivos, e fui capengando até meu mundo escondido.
E naquele dia que me vesti de Maria,
descobri que sou órfã de pai e principalmente de mãe, órfã de irmão e órfã de irmãs, órfã de filhos e filhas, apenas órfã.
No mundo sem uma mãe, nada possuímos, por mais ruim que ela fosse,ou por mais ruim que eu seja,vou viver sempre nessa peleja.
De deitar, tentar sonhar, e de novo ver a Maria.
E se algum dia, em outra esfera da vida, te reencontrar, deixa eu te amar, amar além da vida, além de mim , te amar além da lenda, de pensar que pude um dia te odiar.
Deixar eu apenas pensar que um dia talvez eu volte a te contemplar...
Mas enquanto isso ,vou me vestindo de Maria,naquele tão famoso vestido de mescla azul,de debrun preto e botões forrados,pela primogênita confeccionado .
Nada mais existe naquele quintal encantado, o desencanto chegou lá, e se por acaso eu morrer, pode me enterrar em qualquer lugar.
Que pra casa saberei voltar .
Certo dia me vesti de Maria.
Naquele tão famoso vestido de mescla azul, de debrun preto e botões forrados, pela primogênita confeccionado...
Sorrateiramente o roubei, do fundo daquele guarda roupas antigo,do antigo guarda roupas.
Me despi de mim.
E quis ser aquela, a mãe megera.
Senti no ar seu perfume de talco, misturado ao sabonete Viol,aquele da caixinha de madeira!
Procurei ser como ela, de toda maneira.
E saí a caminhar em passos pesados pelo quintal encantado, passos pesados da vida dura, impura,imatura.
O céu escureceu, a Lua não apareceu, o som emudeceu, o tempo cessou, a luz apagou, meu coração chorou ...
A sua vara me apoiou, consegui chegar onde nunca pude estar,
lá no meu antigo lar.
lar longe de mim,
lar pra que te quero .
Não ouvi sua voz,
descobri que agora seu corpo agora jaz.
E de novo acordei no mundo dos mortos vivos, e fui capengando até meu mundo escondido.
E naquele dia que me vesti de Maria,
descobri que sou órfã de pai e principalmente de mãe, órfã de irmão e órfã de irmãs, órfã de filhos e filhas, apenas órfã.
No mundo sem uma mãe, nada possuímos, por mais ruim que ela fosse,ou por mais ruim que eu seja,vou viver sempre nessa peleja.
De deitar, tentar sonhar, e de novo ver a Maria.
E se algum dia, em outra esfera da vida, te reencontrar, deixa eu te amar, amar além da vida, além de mim , te amar além da lenda, de pensar que pude um dia te odiar.
Deixar eu apenas pensar que um dia talvez eu volte a te contemplar...
Mas enquanto isso ,vou me vestindo de Maria,naquele tão famoso vestido de mescla azul,de debrun preto e botões forrados,pela primogênita confeccionado .
Nada mais existe naquele quintal encantado, o desencanto chegou lá, e se por acaso eu morrer, pode me enterrar em qualquer lugar.
Que pra casa saberei voltar .
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